El Niño é confirmado e acende alerta para calor extremo, seca e risco de incêndios no Ceará

 

Foto: Reprodução / Fenômeno climático pode ser um dos mais fortes das últimas décadas

A confirmação oficial do fenômeno El Niño pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) acendeu um sinal de alerta para o Ceará e todo o Nordeste brasileiro. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (11), após a constatação de que as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial atingiram aquecimento igual ou superior a 0,5°C, condição necessária para caracterizar o fenômeno.


Embora esperado pelos meteorologistas, o cenário preocupa devido à velocidade com que o oceano vem aquecendo e à possibilidade de o evento atingir intensidade forte ou até muito forte nos próximos meses.


Segundo a NOAA, existe 63% de probabilidade de o El Niño alcançar níveis muito fortes entre novembro e janeiro, podendo se tornar um dos episódios mais intensos desde o início dos registros modernos, em 1950.


Ceará deve enfrentar temperaturas mais elevadas

Os primeiros impactos já começam a ser observados no Ceará. De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o segundo semestre de 2026 deverá ser marcado por temperaturas acima da média histórica.


Modelos climáticos apontam que os meses de julho, agosto e setembro podem registrar temperaturas até 2°C superiores ao normal em diversas regiões do estado.


Para o diretor técnico da Funceme, Francisco Vasconcelos Júnior, o fenômeno injeta mais energia na atmosfera, favorecendo o aumento gradual do calor.


“Quanto mais a gente tem essa elevação da temperatura do Pacífico, colocando mais energia na atmosfera, essa energia se propaga pelo globo. Nós estamos no semiárido, terminou a estação chuvosa e já estamos com o céu mais claro. Então, a média de temperatura começa a subir”, explica.


A tendência é que as tardes se tornem ainda mais quentes, especialmente entre 14h e 15h, período que normalmente registra os maiores índices de temperatura do dia.


Baixa umidade e riscos à saúde

Além do calor mais intenso, o El Niño também favorece a redução da umidade relativa do ar.


Essa condição pode provocar desconfortos respiratórios, ressecamento das vias aéreas, irritação nos olhos e aumento dos problemas relacionados à saúde, principalmente em idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias.


Especialistas reforçam a importância da hidratação constante e da redução da exposição ao sol nos horários mais quentes.


Perigo de incêndios aumenta

Outro efeito esperado é o crescimento do risco de incêndios florestais.


Com menos umidade, vegetação mais seca e solos perdendo água mais rapidamente, as condições tornam-se favoráveis para a propagação do fogo, especialmente em áreas rurais e regiões próximas à Chapada do Araripe.


O fenômeno também pode favorecer a formação de ondas de calor, normalmente mais comuns entre setembro e novembro.


Por que este El Niño preocupa tanto?

Embora o El Niño seja um fenômeno natural que ocorre em intervalos de dois a sete anos, o evento atual tem chamado a atenção da comunidade científica pela rapidez do aquecimento das águas do Pacífico.


Desde maio, os indicadores mostram uma elevação acelerada das temperaturas oceânicas.


Segundo a Funceme, há 88% de probabilidade de o fenômeno atingir pelo menos a categoria forte até o fim de 2026.


A intensidade é medida pelo Índice Oceânico Niño (ONI):

Fraco: acima de 0,5°C

Moderado: entre 1°C e 1,5°C

Forte: entre 1,5°C e 2°C

Muito forte: acima de 2°C

O último El Niño forte ocorreu entre 2015 e 2016, período associado a uma das secas mais severas da história recente do Ceará.


Chuvas de 2027 já entram no radar

Embora os impactos imediatos estejam relacionados ao aumento do calor, especialistas acompanham com atenção os possíveis reflexos sobre a quadra chuvosa de 2027.


Historicamente, episódios fortes de El Niño costumam reduzir as chuvas no Norte e Nordeste do Brasil, aumentando o risco de estiagens prolongadas.


Por isso, o monitoramento dos próximos meses será decisivo para a elaboração das previsões climáticas do próximo ano.


Governo intensifica monitoramento hídrico

Diante do cenário, o Comitê Integrado de Segurança Hídrica do Ceará informou que ampliou as ações de monitoramento e planejamento para reduzir possíveis impactos sobre os recursos hídricos do estado.


Entre as obras consideradas estratégicas para enfrentar períodos de seca estão a Malha d’Água, a duplicação do Eixão das Águas e a conclusão do Cinturão das Águas do Ceará (CAC).


O objetivo é garantir maior segurança hídrica para a população, especialmente em regiões historicamente afetadas pela escassez de água.

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