Canetas de tirzepatida proibidas pela Anvisa são anunciadas por até R$ 1,5 mil no Cariri

 

Foto: Reprodução / Produtos da marca paraguaia T.G. são oferecidos pelas redes sociais em Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, apesar da proibição de venda, distribuição e uso no Brasil

Canetas emagrecedoras da marca paraguaia T.G., à base de tirzepatida, estão sendo anunciadas e comercializadas pelas redes sociais no Cariri cearense, apesar de terem a venda proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


Pelo menos quatro anúncios foram identificados no Facebook Marketplace, publicados por usuários de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha.


As ofertas incluem canetas T.G. de 15 mg, com preços entre R$ 250 e R$ 400 por unidade. Também são anunciadas caixas com quatro unidades, encontradas por valores que variam de R$ 900 a R$ 1.500.


Produto é proibido no Brasil

A T.G. é fabricada pelo laboratório Landerlan, do Paraguai, e tem como princípio ativo a tirzepatida.


Embora o produto tenha autorização sanitária no Paraguai, essa autorização não permite sua comercialização no Brasil.


Para que um medicamento possa ser vendido legalmente no país, é necessário que tenha registro ou outra autorização sanitária válida concedida pela Anvisa.


Em janeiro de 2026, a Agência determinou a apreensão e proibição dos produtos T.G. de 10 mg e 15 mg.


A determinação alcançou todos os lotes e proibiu comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e uso dos produtos.


Anúncios prometem produto "original"

Em uma das ofertas identificadas no Crato, o vendedor afirma que a caneta seria nova e original.


“Produto novo, original, fechado e lacrado. Conservado corretamente e pronto para uso. Embalagem lacrada, procedência garantida e entrega a combinar”, diz o anúncio.


A publicação, no entanto, não altera a situação sanitária do produto no país. Mesmo anunciado por meio de plataformas digitais, o medicamento continua submetido às determinações da Anvisa.


Venda pela internet também é proibida

A comercialização por redes sociais ou plataformas de venda não regulariza um medicamento que não possui autorização sanitária no Brasil.


A Anvisa vem adotando medidas contra produtos à base de tirzepatida comercializados pela internet sem registro ou autorização.


Em junho deste ano, a Agência também determinou a apreensão de outros medicamentos contendo tirzepatida que não possuíam registro sanitário no país.


Em documento divulgado em conjunto com a Polícia Federal, a Anvisa informou que, entre janeiro e abril de 2026, foram apreendidas mais de 1,3 milhão de unidades de medicamentos injetáveis irregulares.


No mesmo período, a Agência adotou mais de 11 medidas proibitivas envolvendo importação, comercialização e uso de produtos desse tipo.


A Anvisa classificou a circulação irregular de medicamentos agonistas de GLP-1 como um cenário de risco sanitário.


Tirzepatida é autorizada, mas produto precisa de registro

A tirzepatida é um princípio ativo autorizado pela Anvisa no Brasil. Isso, porém, não significa que qualquer medicamento contendo a substância possa ser comercializado.


O medicamento de referência registrado no país é o Mounjaro, da Eli Lilly.


A T.G., produzida pela Landerlan, não possui registro sanitário brasileiro e permanece entre os produtos cuja comercialização é proibida pela Anvisa.


A venda irregular de medicamentos também pode representar riscos ao consumidor, principalmente porque não há garantia de que o produto adquirido fora dos canais autorizados tenha sido armazenado, transportado e conservado de acordo com as condições exigidas para medicamentos injetáveis.


Diante das ofertas identificadas no Cariri, a orientação é que consumidores não adquiram produtos proibidos e procurem medicamentos apenas em estabelecimentos e canais regularizados.

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem