Os candidatos ao Governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) protagonizaram um debate acalorado na noite desta quarta-feira (9), durante o Debate PontoPoder. Os dois trocaram acusações, questionaram alianças políticas e discutiram investigações envolvendo integrantes de seus respectivos grupos.
A corrupção foi um dos principais temas do primeiro confronto. Durante a discussão, Ciro e Elmano chegaram a trocar insultos, como “vagabundo” e “mentiroso”.
Entre os nomes citados pelos candidatos estiveram Tiago Santana, Chagas Vieira, Adail Carneiro, Yuri do Paredão, Capitão Wagner, Júnior Mano e André Fernandes, além do ex-prefeito de Choró Carlos Alberto Queiroz, conhecido como Bebeto do Choró, que está foragido da Justiça desde dezembro de 2024 e é acusado de liderar um esquema criminoso de compra de votos.
Contratos na área da Cultura
Ciro Gomes iniciou o confronto questionando contratos firmados pelo Governo Elmano na área da Cultura por meio do Instituto Mirante, organização administradora de equipamentos culturais do Estado e gerida por Tiago Santana, irmão do senador Camilo Santana (PT).
O candidato tucano afirmou que o governo teria destinado cerca de R$ 500 milhões ao instituto sem licitação e classificou a situação como possível nepotismo e corrupção.
Elmano negou as acusações e afirmou que a utilização de organizações sociais para administrar equipamentos públicos existe no Ceará há diferentes governos. O governador também defendeu a atuação de Tiago Santana à frente do Centro Cultural do Cariri.
Acusações envolvendo aliados
Na sequência, Ciro fez questionamentos sobre o patrimônio de Chagas Vieira, ex-chefe da Casa Civil de Elmano e atual coordenador da campanha petista.
Ciro alegou que o político teria adquirido patrimônio avaliado em quase R$ 10 milhões e citou um imóvel que, segundo ele, teria sido pago em espécie.
Elmano classificou as declarações como falsas e afirmou que acusações semelhantes já teriam sido objeto de processos e decisões de direito de resposta.
O debate também passou por uma investigação da Polícia Federal envolvendo o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT). Ciro citou uma apuração sobre suposta ocultação de imóveis no contexto eleitoral. Elmano negou as acusações e respondeu com críticas à gestão do ex-prefeito José Sarto (PSDB), aliado de Ciro.
Bebeto do Choró
Outro momento de tensão ocorreu quando Ciro questionou Elmano sobre a relação de integrantes da base governista com Bebeto do Choró, ex-prefeito que é considerado foragido pela Justiça.
Ciro afirmou que Bebeto seria financiador de políticos ligados ao grupo governista e citou, entre outros nomes, o deputado federal Yuri do Paredão.
Elmano respondeu afirmando que o PT teria participado de ações que resultaram na cassação e na inelegibilidade de Bebeto do Choró. O governador também mencionou relações políticas e jurídicas envolvendo integrantes da oposição e a defesa do ex-prefeito.
Ciro, por sua vez, citou a prisão recente do empresário Iago Viana Nascimento, apontado nas investigações como suspeito de atuar como operador do esquema atribuído a Bebeto. O tucano afirmou que espera que o empresário possa colaborar com as investigações por meio de uma eventual delação.
Outros nomes citados
O confronto também envolveu os deputados federais Yuri do Paredão e Júnior Mano, além do ex-deputado Adail Carneiro.
Ciro acusou Júnior Mano e Yuri do Paredão de terem recebido recursos públicos sem licitação por meio de instituições que classificou como fraudulentas. Elmano contestou as declarações e acusou Ciro de concentrar suas críticas nos adversários políticos.
Ao citar Adail Carneiro, Elmano questionou Ciro sobre uma investigação envolvendo o ex-deputado. Ciro respondeu que Adail havia sido absolvido posteriormente.
Momento de tensão
O debate chegou ao momento mais acalorado quando Ciro e Elmano passaram a apontar o dedo um para o outro durante a discussão.
Ciro afirmou que manteria o dedo apontado para o adversário, enquanto Elmano respondeu: “Baixe seu dedo”.
Diante do clima de tensão, o mediador congelou o tempo de fala dos candidatos e interveio para que os dois se recompusessem. Após o episódio, ambos solicitaram direito de resposta, mas os pedidos foram negados.
As acusações apresentadas durante o debate dizem respeito a investigações, processos e alegações que ainda devem ser analisados pelas autoridades competentes. A existência de uma investigação ou acusação não significa, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.
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