O El Niño de 2026 pode superar as expectativas de intensidade e se tornar o mais forte desde pelo menos 1950, segundo estimativa da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que aumenta a liberação de calor para a atmosfera e provoca alterações nos padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.
Pacífico pode chegar a 4°C acima da média
Atualmente, as águas do Pacífico já estão aproximadamente 2°C mais quentes que o normal. As projeções indicam que a temperatura pode chegar próxima de 4°C acima da média nos próximos meses.
A previsão é de que os efeitos do fenômeno permaneçam até fevereiro de 2027.
A intensidade do El Niño pode provocar impactos diferentes de acordo com a região. Na América do Sul, por exemplo, há previsão de temperaturas mais elevadas próximas à linha do Equador.
No Sudeste Asiático, o fenômeno pode favorecer períodos de seca e aumentar o risco de incêndios. Já no noroeste da Europa, as condições podem aumentar a ocorrência de chuvas e tempestades.
Impactos também chegam à economia
Além das consequências climáticas, o El Niño pode afetar atividades econômicas e cadeias de abastecimento.
Um dos exemplos é o Canal do Panamá, que poderá reduzir o tráfego de embarcações diante das previsões de menor volume de chuvas. A estrutura é estratégica para o comércio internacional: cerca de 14 mil navios passam pelo canal todos os anos, gerando aproximadamente US$ 3 bilhões anuais para o Panamá.
No setor agropecuário, as condições climáticas também podem provocar impactos na produção e nos preços dos alimentos.
Calor acima da média no Brasil
No Brasil, a previsão indica que o período entre setembro e novembro deverá apresentar temperaturas acima da média em praticamente todo o território nacional.
Além do impacto sobre o clima, o fenômeno pode pressionar a inflação, especialmente por causa dos efeitos sobre a produção agrícola.
Estimativas citadas no levantamento apontam ainda para uma possível retração de aproximadamente 1,5% no setor agropecuário no próximo ano.
Os efeitos, entretanto, podem variar significativamente entre as diferentes regiões brasileiras, dependendo da intensidade do fenômeno e de outros fatores climáticos que atuam simultaneamente.
Fonte: BBC / Organização Meteorológica Mundial.
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