O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de promover uma suposta “tentativa de interferência política” nas eleições. A declaração foi feita nesta quinta-feira (10), durante agenda de campanha em Boa Vista (RR), após a Polícia Federal deflagrar uma operação que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação, autorizada por Dino, investiga o possível desvio de R$ 2 milhões provenientes de emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Mario Frias (PL) a organizações relacionadas à produtora.
Segundo a Polícia Federal, as apurações envolvem suspeitas dos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Até o momento, as suspeitas estão sob investigação e não representam condenação dos envolvidos.
Durante a agenda em Roraima, Flávio Bolsonaro afirmou que o filme não recebeu dinheiro público e classificou a operação como uma ação de natureza política.
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público (...). O que tem claramente é uma tentativa de interferência política mais uma vez agora do ministro Flávio Dino sobre as eleições”, afirmou.
Prestação de contas do filme
O caso ganhou repercussão em maio, após a divulgação de mensagens e áudios nos quais Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme.
Na época, o candidato afirmou que apresentaria, em até 30 dias, a prestação de contas dos recursos utilizados na produção.
Posteriormente, Flávio declarou que a produtora Go Up Entertainment, de Karina Gama, havia apresentado a documentação. Os dados, entretanto, contêm informações gerais sobre receitas e despesas e foram entregues à investigação em São Paulo, sem detalhar publicamente toda a origem e a destinação dos valores.
Flávio Bolsonaro também afirmou que acredita na vitória contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e voltou a criticar a atuação do Supremo Tribunal Federal.
“O Lula já abandonou a campanha política. Ele agora tá contando com os seus amigos no Supremo para tentar levar no tapetão. Vai perder no voto, vai perder no tapetão”, declarou.
Agenda de campanha em Boa Vista
As declarações ocorreram após Flávio Bolsonaro participar de uma reunião com empresários do agronegócio, políticos e apoiadores em um hotel no centro de Boa Vista.
Também estiveram no encontro o candidato ao governo de Roraima Arthur Henrique (PL), o candidato a vice Haroldo Cathedral, os candidatos ao Senado Nicoletti e Hélio Lopes, além do prefeito de Boa Vista, Marcelo Zeitoune (PL), do senador Hiran Gonçalves (PP) e do ex-governador Antonio Denarium.
Durante a agenda, Flávio afirmou que, caso seja eleito, pretende atender às demandas de Roraima e reduzir entraves burocráticos que, segundo ele, dificultam o desenvolvimento econômico do estado.
O candidato também participou de uma motocarreata pelas principais avenidas da capital e, posteriormente, de um comício na Praça do Centro Cívico.
No discurso, defendeu propostas como a redução da maioridade penal para 16 anos, o enquadramento de facções criminosas como organizações terroristas e a castração química para condenados por crimes sexuais.
A investigação da Polícia Federal continua, e os fatos apurados ainda dependem da conclusão das diligências e de eventual responsabilização pelas autoridades competentes.
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