Mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, voltaram a colocar a relação entre os dois no centro das discussões envolvendo a Justiça brasileira.
Os diálogos foram citados em um relatório da Polícia Federal e envolvem pedidos de orientação feitos por Vorcaro ao ministro durante o período de agravamento da crise envolvendo o Banco Master.
Ao todo, segundo as informações divulgadas, foram identificadas 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. Em parte delas, o ex-banqueiro teria buscado aconselhamento sobre as investigações e sobre a possibilidade de obter apoio junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Em uma das mensagens, Vorcaro escreveu:
“Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso.”
Os diálogos também indicariam que Vorcaro buscava informações sobre o andamento das investigações envolvendo o Banco Master e demonstrava preocupação com a possibilidade de ser preso.
Em novembro de 2025, por exemplo, o ex-banqueiro teria perguntado a Moraes se existia possibilidade de reverter o avanço das investigações e se deveria deixar o país.
Em 17 de novembro, segundo o material citado, Vorcaro voltou a perguntar se havia novidades e se alguma medida havia sido bloqueada. Na mesma data, ele foi preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular com destino ao exterior
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Contratos com escritório da esposa de Moraes
Além das mensagens, o relatório da PF teria apontado que um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” participou da edição de um contrato no valor de R$ 131 milhões entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e Daniel Vorcaro.
O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que havia consultado o ministro sobre possíveis impedimentos legais relacionados à contratação. Segundo a defesa, nenhum impedimento teria sido identificado e, posteriormente, o contrato foi firmado.
A investigação também apontou um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões, entre o escritório e outra empresa ligada a Vorcaro, a Viking Participações. Parte do pagamento teria sido realizada por meio de cotas de um jato particular.
Os fatos estão sob apuração e as informações divulgadas em relatórios investigativos não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre eventual irregularidade ou responsabilidade dos envolvidos.
PGR pede nulidade da investigação
O caso ganhou novo capítulo após o ministro do STF André Mendonça retirar o sigilo da ação que analisa as mensagens envolvendo Moraes e Vorcaro.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também é mencionado nos diálogos, pediu a nulidade da investigação. Segundo sua manifestação, caberia a Mendonça analisar a questão, mas não conduzir investigação contra outro ministro do Supremo.
Mendonça, por sua vez, indicou que pretende dar continuidade ao caso e afirmou que deseja realizar uma sessão “pública e transparente” no plenário do STF, com a participação de todos os ministros.
A discussão deverá ocorrer na próxima semana. O presidente do Supremo, Edson Fachin, é responsável pela definição da pauta do plenário. Até o momento, Fachin não se manifestou publicamente sobre o episódio.
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