A pecuária brasileira tem avançado em produtividade, com animais chegando ao abate mais cedo e melhorias nos indicadores de qualidade da carne. Esse cenário é destacado por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), em artigo sobre a evolução da raça e o papel da tecnologia na atividade.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pelo autor, o Brasil abateu 42,94 milhões de bovinos no ano passado, um crescimento de 8,2% em relação ao ano anterior e o maior resultado da série histórica. Desse total, 8,4 milhões de animais tinham até dois anos, o equivalente a aproximadamente um em cada quatro bovinos abatidos.
A idade de abate é um indicador importante de eficiência produtiva. Animais que atingem o peso adequado mais cedo permanecem menos tempo no sistema, ocupam pastagens por um período menor e permitem ao produtor recuperar o investimento mais rapidamente.
Precocidade e qualidade da produção
Um exemplo citado por Miranda é o Circuito Nelore de Qualidade, iniciativa da ACNB que avalia animais no momento do abate. Segundo o artigo, mais de 70% dos bovinos avaliados pelo programa chegam aos frigoríficos com até dois anos.
A eficiência, porém, não depende apenas do ganho de peso. O desempenho deve ser analisado em conjunto com fatores como consumo de alimentos, tempo de permanência na propriedade, qualidade da carcaça e resultado econômico.
Entre os indicadores considerados importantes estão a quantidade de carne produzida por hectare, o número de bezerros desmamados por matriz, os dias necessários para atingir o peso de abate e o consumo de alimento por quilo produzido.
Tecnologia e melhoramento genético impulsionam resultados
O artigo também destaca dados do Beef Report 2026, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Conforme os números citados, a produtividade da pecuária brasileira cresceu 183% nos últimos 30 anos, enquanto a área de pastagens diminuiu 18%, chegando a aproximadamente 160 milhões de hectares.
Para o presidente da ACNB, os resultados refletem avanços em genética, nutrição, sanidade, manejo e gestão das propriedades. Ele ressalta, no entanto, que ainda existem diferenças significativas entre regiões, fazendas e sistemas de produção.
O uso de tecnologias de monitoramento permite acompanhar com maior precisão o consumo de alimentos e o ganho de peso dos animais, ajudando os pecuaristas a identificar aqueles que apresentam melhor desempenho.
Exposições e seleção genética
As exposições da raça Nelore também são apontadas como espaços de avaliação, intercâmbio técnico e aprimoramento genético. No artigo, Miranda destaca a Expoinel Nacional, realizada tradicionalmente no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), como um dos principais eventos da raça.
O autor pondera que um animal premiado em exposição não necessariamente terá o melhor desempenho em todos os sistemas de produção. Ainda assim, as avaliações podem servir como referência para características genéticas e econômicas, incluindo fertilidade e precocidade.
Nelore tem papel central na pecuária nacional
De acordo com o artigo, o Nelore representa mais de 80% do rebanho bovino brasileiro e tem participação predominante na produção nacional de carne.
Diante desse cenário, a ACNB busca ampliar a divulgação dos avanços da raça e aproximar o setor de diferentes públicos. Entre as iniciativas mencionadas estão a TV Nelore e o Nelore Podcast, lançado em maio, com entrevistas semanais sobre a raça e a pecuária.
Na avaliação de Miranda, a eficiência resulta da combinação entre genética, tecnologia, manejo e gestão. O desafio, segundo ele, é comunicar melhor a evolução do setor e demonstrar como esses avanços se refletem na produção e na qualidade da carne consumida pelos brasileiros.
Artigo assinado por Victor Paulo Silva Miranda, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil.

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