Outubro Rosa: mamografia e avaliação individual ajudam na detecção precoce do câncer de mama

 

Com estimativa de 78,6 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, especialista explica diferenças entre rastreamento e investigação


O câncer de mama deve registrar 78.610 novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). A doença representa cerca de 30% dos novos casos de câncer entre mulheres, excluindo os tumores de pele não melanoma.


Os dados reforçam a importância do Outubro Rosa, campanha voltada à conscientização sobre prevenção, rastreamento e diagnóstico precoce.


Uma das principais dúvidas relacionadas ao tema é sobre a frequência da mamografia. A necessidade do exame, porém, depende do objetivo da avaliação e das características de cada paciente.


Rastreamento e investigação são diferentes

O rastreamento é realizado em pessoas que não apresentam sinais ou sintomas, com o objetivo de identificar uma doença antes que ela se manifeste.


No Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde passou a recomendar, desde setembro de 2025, o rastreamento mamográfico para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos.


Isso não significa que mulheres fora dessa faixa etária não possam precisar de avaliação ou que uma alteração na mama deva esperar até a idade indicada para o rastreamento.


“São situações diferentes. O rastreamento é uma estratégia para acompanhar uma população que não apresenta sintomas, enquanto a investigação acontece quando existe uma alteração, um sintoma ou algum fator que indique a necessidade de uma avaliação mais detalhada”, explica Erika Simplício, oncologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.


Segundo o INCA, cerca de quatro em cada cinco casos de câncer de mama ocorrem após os 50 anos. Ainda assim, parte dos diagnósticos acontece antes dessa idade, o que reforça a necessidade de considerar fatores individuais.


Quando a avaliação pode ser antecipada?

Além da idade, histórico pessoal e familiar, alterações identificadas anteriormente e outros fatores de risco podem modificar a estratégia de acompanhamento.


Nessas situações, a avaliação médica pode indicar a necessidade de investigação antes da faixa etária estabelecida para o rastreamento populacional e definir quais exames são mais adequados.


“Uma mulher mais jovem, por exemplo, pode não estar na faixa etária do rastreamento populacional e ainda assim precisar de investigação. Da mesma forma, uma pessoa dentro da faixa de rastreamento pode ter uma situação que exija uma avaliação diferente”, afirma a especialista.


A orientação é evitar tanto exames desnecessários quanto a perda de oportunidades para um diagnóstico precoce.


Sinais e sintomas precisam ser investigados

Quando a mulher percebe uma alteração na mama, a situação deixa de ser um rastreamento de rotina e passa a exigir investigação diagnóstica.


Entre os sinais que devem ser avaliados por um profissional de saúde estão:

  • caroço ou nódulo na mama;
  • mudanças persistentes no formato ou tamanho da mama;
  • alterações na pele;
  • retração do mamilo;
  • secreção pelo mamilo;
  • outras mudanças que não eram habituais.

 

“Nem toda alteração na mama significa câncer, mas uma mudança que não era habitual deve ser investigada. O importante é não esperar que o sintoma desapareça por conta própria ou tentar definir a causa em casa”, orienta Erika.


Outubro Rosa também é informação

A campanha Outubro Rosa amplia o debate sobre a importância do acompanhamento médico e sobre a diferença entre rastreamento e investigação.


A avaliação individual considera o histórico de saúde, fatores de risco e eventuais alterações apresentadas pela paciente. A partir dessas informações, o profissional pode definir a necessidade de exames e a periodicidade do acompanhamento.


“O mais importante é que a mulher conheça o próprio histórico de saúde, mantenha suas consultas e saiba que rastreamento e investigação são estratégias diferentes”, afirma a oncologista.


Centro de Detecção Precoce

A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo também mantém um Centro de Detecção Precoce, que inicia o atendimento com uma consulta médica para avaliar informações como idade, antecedentes pessoais e familiares, hábitos de vida e exames já realizados.


A partir dessa análise, a equipe pode estabelecer uma estratégia de acompanhamento ou indicar uma investigação mais direcionada. Em situações específicas, também podem ser considerados testes genéticos relacionados à predisposição hereditária ao câncer.


O Centro de Detecção Precoce atende nas unidades Pompeia, Santana e Ipiranga, em São Paulo.

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