Fim da baliza na prova prática da CNH começa a valer nesta segunda (9); entenda impactos

 

Foto: Reprodução

O ano de 2026 começou com mudanças importantes para quem pretende obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em dezembro de 2025, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou uma resolução, ratificada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), que altera as regras de formação e avaliação de novos condutores. Entre as principais mudanças está a retirada da baliza como etapa obrigatória da prova prática.

No Ceará, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE) passou a adotar as novas normas a partir desta segunda-feira (9). Com isso, a baliza deixa de ser exigida nos exames das categorias B, C, D e E. Segundo o órgão, a medida busca padronizar os exames em todo o país e atender às diretrizes dos órgãos reguladores de trânsito.

Além da exclusão da baliza, a resolução estabelece outras mudanças no processo de habilitação, como o fim do tempo máximo para executar a manobra, a eliminação da carga horária fixa das aulas teóricas e a redução da carga mínima de aulas práticas de 20 para apenas duas horas. Também passa a ser permitido realizar a prova prática com veículos automáticos, e os testes deverão ocorrer em vias públicas, com trânsito real.

Outra alteração relevante diz respeito ao modelo de avaliação. A banca passa a contar com quatro avaliadores: o examinador que acompanha o candidato durante o trajeto e outros três servidores responsáveis por analisar registros e imagens da prova. A aprovação será definida por um novo sistema de pontuação, com infrações classificadas por gravidade e limite máximo de dez pontos. Além disso, o candidato terá direito a um primeiro reteste gratuito em caso de reprovação.

Mudanças na baliza

A Senatran classificou a baliza, nos moldes tradicionais, como uma etapa “desproporcional”, por equiparar erros na manobra a condutas de risco, o que elevava os índices de reprovação sem gerar ganhos reais para a segurança viária. Com as novas regras, o exame passa a ser mais próximo da realidade do cotidiano, concentrando a avaliação na circulação do veículo, com o estacionamento sendo realizado ao final do percurso.

De acordo com o arquiteto e professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), Rérisson Máximo, a retirada de itens eliminatórios automáticos torna a prova mais justa e alinhada aos princípios pedagógicos. Segundo ele, a avaliação global do desempenho permite ao candidato desenvolver uma compreensão mais ampla das responsabilidades e dos conhecimentos necessários para uma condução segura no ambiente urbano.

Com as mudanças, também deixa de existir um tempo máximo rigoroso para estacionar. O candidato poderá realizar ajustes, utilizar a marcha à ré e fazer movimentos sucessivos para posicionar o veículo na vaga, desde que em um intervalo razoável e compatível com o tamanho do carro. A exclusão da baliza como etapa obrigatória elimina duas das dez faltas eliminatórias previstas anteriormente.

Já o advogado Daniel Siebra, presidente da Comissão de Trânsito, Tráfego e Mobilidade Urbana da OAB Ceará, critica a mudança e avalia que a baliza é fundamental para medir o controle do veículo em baixa velocidade e em situações adversas. Para ele, a retirada da etapa pode comprometer a formação e a segurança dos novos condutores.

Carro automático e menos aulas práticas

A resolução do Contran também extingue a carga horária fixa das aulas teóricas e reduz significativamente o tempo mínimo das aulas práticas. Para Daniel Siebra, a diminuição para apenas duas horas representa um retrocesso e pode gerar impactos negativos na segurança viária. Segundo o advogado, o tempo é insuficiente para formar um condutor minimamente preparado, o que pode levar candidatos a buscar aulas extras fora do sistema formal.

Outras mudanças incluem a autorização para uso de veículos com câmbio automático e a realização da prova prática em vias públicas. A avaliação em trânsito real deve considerar situações comuns do dia a dia, como interação com pedestres e ciclistas, circulação em rotatórias e conversões em pistas de mão dupla.

Para o professor Rérisson Máximo, a reformulação rompe com o modelo “engessado” dos circuitos fechados do Detran, muitas vezes decorados pelos candidatos, e aproxima o exame da realidade enfrentada diariamente nas ruas.

Reteste gratuito e mais avaliadores

O novo modelo de avaliação também prevê um sistema de pontuação baseado em infrações leves, médias, graves e gravíssimas. Caso o examinador identifique que o candidato não possui condições mínimas para conduzir o veículo, a prova pode ser interrompida imediatamente. Em caso de reprovação, o candidato terá direito a um primeiro reteste gratuito, sem cobrança de nova taxa, podendo ser realizado no mesmo dia, conforme a disponibilidade.

Em entrevista coletiva, o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, afirmou que as mudanças também buscam combater fraudes e reduzir a subjetividade nos exames. Segundo ele, os Detrans deverão justificar previamente os trajetos das provas, evitando surpresas e garantindo mais transparência ao processo.

 

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