Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 16/04/2026 — Foto: Luiz Silveira/ST
Ministro não informou a
companhia em que ocorreu a interação. Presidente do STF prestou solidariedade a
Dino e disse que o respeito é condição essencial da convivência republicana.
O ministro Flávio Dino, do
Supremo Tribunal Federal (STF), relatou, nesta segunda-feira (18), que foi
hostilizado por uma funcionária de uma companhia aérea, que declarou que seria
"melhor matar do que xingar" o magistrado.
Em uma postagem numa rede
social, o ministro contou que após olhar seu cartão de embarque, a funcionária
disse a um policial do STF, que acompanha o ministro e é responsável por sua
segurança, que sentiu vontade de xingá-lo.
Segundo Dino, "em seguida
se 'corrigiu': disse que seria melhor matar do que xingar. Como não a conheço,
nem ela me conhece, é claro que tais manifestações derivam de minha atuação no
STF".
O ministro não quis informar o
aeroporto, o nome da funcionária, a empresa nem a data do ocorrido. Mas
o episódio ocorreu nesta segunda-feira, em São Paulo.
Educação cívica
O ministro ressaltou que a
questão não é pessoal, uma vez que condutas como essas podem impulsionar outras
ações.
"Imaginemos que outros
funcionários, da mesma ou outra empresa aérea, sejam contaminados com idêntico
ódio. Isso pode significar até riscos para segurança de aeroportos e de voos e,
por conseguinte, de outros passageiros. Imaginemos se isso se alastra para
outros segmentos de negócios: um cliente corre o risco de, por exemplo, ser
envenenado?", afirmou.
Dino defendeu que é preciso
promover educação cívica. "Assim, o pedido que faço às empresas em geral,
mas especialmente àquelas que lidam com o público, é que façam campanhas
internas de educação cívica para que todos possam conviver em paz, especialmente
nesse ano eleitoral, em que muitos sentimentos se acirram".
"Cada um tem sua opinião,
suas simpatias e o seu voto individual. Mas um cidadão não pode ter receio de
sofrer uma agressão de um funcionário de uma empresa, ao consumir um serviço ou
produto. Pode ter sido um “caso isolado”. Porém, com o andar do calendário
eleitoral, pode não ser. Então é melhor prevenir. Essa é a sugestão para as
empresas e entidades empresariais: orientem e estimulem com campanhas
educativas os seus prestadores de serviço a manter o respeito a todas as
pessoas, independentemente de preferências, simpatias, opiniões. Será o melhor
para a empresa e para os consumidores. Será o melhor para o Brasil",
concluiu.
Solidariedade de Fachin
Num evento de posse de novos
integrantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda-feira, o
presidente do STF, Edson Fachin, prestou solidariedade ao colega.
"Manifestamos nossa
solidariedade ao ministro Flávio Dino diante do grave fato, incidente ocorrido
hoje, num dos aeroportos de São Paulo, cujo relato foi tornado público. O
respeito a todas as pessoas, tenham ou não funções públicas, instituições e autoridades
legitimamente constituídas, é condição essencial da convivência
republicana".
Fachin já havia divulgado uma
nota afirmando que a "divergência de ideias, própria da democracia, jamais
pode abrir espaço para o ódio, para a violência em qualquer de suas formas ou
para qualquer modo de agressão pessoal."
"Impõe-se reafirmar os
valores da civilidade, da tolerância e da paz social. O Brasil precisa de
serenidade, espírito público e compromisso democrático, para que as diferenças
possam coexistir dentro dos limites do respeito mútuo e da dignidade humana",
escreveu.
No discurso, o
presidente do Supremo criticou o uso de ataques políticos com finalidade
eleitoral para deslegitimar instituições. O ministro afirmou que o
Judiciário tem que inspirar confiança para manter sua credibilidade. Segundo
Fachin, é preciso "coragem e equilíbrio para resistir e enfrentar ações
que diluem a institucionalidade".
Ministro Flávio Dino durante sessão plenária do STF em 16/04/2026 — Foto: Luiz Silveira/ST
"Criticar é legítimo.
Deslegitimar, não. Divergir é próprio do regime democrático. Fragilizar as
instituições que o sustentam é abrir caminho para a instabilidade e para o
arbítrio", afirmou Fachin.
O presidente do STF disse que
discordâncias e propostas para aprimorar as instituições contribuem para o
fortalecimento da democracia.
"Financiar de forma
sistemática, e com finalidade eleitoral, informações falsas enfraquece a
institucionalidade, os Poderes da República e o tecido social. A liberdade de
expressão política é um valor constitucional que sempre deve ser preservado. Ao
lado, a Constituição também protege as condições institucionais sem as quais a
própria democracia não funciona. Isso inclui a integridade do debate público
contra campanhas coordenadas de desinformação financiada".
Fonte: Márcio Falcão TV Globo
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