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| Foto: André Borges |
Se atestado de sanidade mental
fosse pré-requisito para o mister presidencial, Jair Bolsonaro nem sequer teria assumido em janeiro de
2019. E isso não se trata de ofensa pessoal ou pretensão de minha parte em
exercer, indevida e ilegalmente, o exercício de uma profissão que não domino,
mas uma opinião amparada em falas e atitudes cada vez mais compatíveis com um
quadro grave de doença psíquica.
Não há em Brasília, no
restante do Brasil e mesmo em todo o mundo quem, gozando de plenas faculdades
mentais e isenção ideológica, bem como de ‘padrões mínimos’ de moral, ética e
bons valores, sobretudo os humanos, republicanos e democráticos, que considere
o atual presidente da República um homem são e capaz de governar o País. O que
até pouco tempo atrás poderia ser considerado método, estratégia ou mera
personalidade, hoje mostra-se algo muito mais amplo e delicado.
Jair Bolsonaro é um homem
visivelmente perturbado e atormentado, perdido em um labirinto muito próprio,
onde cada porta aberta o conduz para um nível ainda pior de alienação,
isolamento e descolamento da realidade. Para piorar, cercou-se de gente tão ou
mais atormentada; tão ou mais intelectualmente limitada; tão ou mais incapaz de
exercer qualquer tipo de atividade que impacte a vida de terceiros.
Hoje, mais de trinta anos após
a redemocratização, Bolsonaro conseguiu ressuscitar um defunto que parecia
profundamente adormecido: militares com aspirações golpistas. Aliás, o Messias vem se
especializando em ressuscitar os ‘mortos’; Lula está aí para provar.
O Brasil encontra-se
paralizado e à espera de um desfecho - clínico ou institucional - cada vez mais
urgente. Um País com tantos e tamanhos problemas de ordem social e econômica,
com impactos tão profundos na vida dos menos favorecidos, não pode ficar a
mercê da ‘psicopatia sociopata esquizofrênica homicida e tirânica’ de um (ex)
chefe de Estado - sim; Bolsonaro não é, se é que algum dia já foi, o chefe de
Estado do Brasil. Se antes era apenas um arruaceiro em busca de conflito, hoje
é um doente perigoso ocupando a cadeira presidencial.
Devagar, par e passo, as
instituições democráticas começam a reagir de forma unida e proporcional ao
tamanho da ameaça. Poder Judiciário, grande parte da imprensa, sindicatos e
entidades de classe, empresários economicamente relevantes, militares os mais
diversos... Não são poucas as manifestações de resistência. Cabe agora ao tal
‘povo’ fazer a sua parte. Omitindo-se, fará parecer que os lunáticos são a
maioria que dizem ser. E não são! Nunca foram. Esse é o recado que os agentes
do caos têm de receber.
Fonte: Correio Braziliense

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