Em novembro, a embaixada do
Brasil em Moscou publicou um alerta contra o alistamento voluntário de
brasileiros em forças armadas estrangeiras, devido ao aumento do número de
brasileiros mortos ou que tiveram dificuldade para interromper a participação
no Exército.
Marcelo chegou na Rússia por
Moscou no dia 3 de dezembro. No dia 9, disse ter sido obrigado a assinar o
contrato com o Ministério da Defesa da Rússia. Segundo a família, ele não tem
experiência militar, não fala russo, inglês e outra língua estrangeira.
Amigo brasileiro fez proposta
Gisele afirmou que a proposta
para que Marcelo fosse à Rússia partiu de um amigo brasileiro que também mora
em Boa Vista.
Em seguida, o passaporte de
Marcelo foi emitido com a ajuda de um homem ligado a uma empresa com número de
São Paulo. Essa empresa se apresenta nas redes sociais como assessoria para
ingresso no Exército russo.
Marcelo recebeu o passaporte
no dia 28 de novembro. No mesmo dia, a passagem foi comprada pela empresa de
assessoria. No dia 30, embarcou com destino final a Moscou. "O amigo fez
uma proposta de emprego, mas nada relacionado a serviço militar", afirmou
Gisele.
A mulher acredita que o amigo
recebe algum valor para atrair pessoas para este serviço. "Ele convence
qualquer pessoa que acha viável, porque ganha dinheiro em cima disso. Acho que
recebe por cada pessoa que leva", destacou.
Como Marcelo e Gisele não são
casados no papel, a documentação dele foi enviada ao Itamaraty com os dados da
mãe, Alessandra da Silva, de 47 anos. Ela disse que só soube que o filho faria
a viagem quando ele já estava em São Paulo, em uma conexão com Moscou.
"Ele estava muito
perturbado aqui. Desempregado, devendo coisas, sendo cobrado por pensão. Aí
apareceu esse conhecido, que eu nem sei quem é direito, inventando esse
emprego, dizendo que ele ia ganhar bem e que em 20 dias mandaria dinheiro para
a esposa", disse a mãe. O último contato que eles tiveram foi no dia 5 de
dezembro.
Contrato em russo
No contrato em russo que
Marcelo assinou sem compreender, mas do qual conseguiu tirar fotos e enviar à
companheira, consta que ele deve atuar como atirador, utilizando um fuzil
AK-74. A família afirma que não sabe quanto ele ganharia, Gisele nunca recebeu
nenhum valor e que o cartão bancário de Marcelo ficou com a empresa que ajudou
ele com o passaporte.
Atualmente, a família acredita
que Marcelo esteja em uma cidade chamada Luhansk, na Ucrânia, onde passa por
treinamento militar. Ele chegou a procurar o consulado do Brasil na Rússia, mas
foi informado que "esses casos acontecem" e ele "não é o
primeiro".
Gisele afirma que tem
conseguido falar com o marido esporadicamente via Telegram. Nesses contatos,
ele sempre reforça que quer voltar para casa.
"A gente não conversa
todos os dias. Não sei se ele está bem, não sei se está se alimentando. Hoje,
graças a Deus, ele deu um sinal de vida e disse que a situação não está boa,
que não quer mais estar lá e quer voltar para casa. Ele disse que estão impedindo
ele de sair", disse Gisele.
Gisele procurou o Ministério
das Relações Exteriores pela primeira vez no sábado (27). Nessa terça-feira
(30), recebeu uma resposta de que seria enviado um pedido de extradição, para
que Marcelo retorne ao Brasil.
"O meu foco é apenas
tirar ele de lá. Não quero brigar com ninguém, não quero brigar com esse
pessoal, não quero brigar com ninguém. O que eu quero é que o Brasil me ajude,
que as autoridades competentes intervenham em casos como esse envolvendo brasileiros,
porque, como a moça me disse, não foi o primeiro caso".
Fonte:G1
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