Com mais de 32 milhões de
idosos no país, especialista aponta os principais critérios que garantem
qualidade e segurança no home care
Na hora de contratar um
serviço de cuidado domiciliar, as famílias vão muito além da busca por
conveniência ou custo. O que está em jogo é a segurança, a dignidade e a
qualidade de vida de quem será cuidado dentro do próprio lar. Ainda assim,
nesse processo, é comum que familiares se deparem com dúvidas, informações
desencontradas e equívocos que podem comprometer a qualidade da assistência
prestada.
Esse cenário de incertezas não
é pontual, nem isolado. Ele reflete uma mudança estrutural no perfil da
população brasileira, marcada pelo envelhecimento acelerado. Segundo o
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2030 o número de
pessoas com 60 anos ou mais deve ultrapassar o de crianças de até 14 anos.
Atualmente, a população idosa já soma 32,1 milhões de pessoas, o equivalente a
15,8% dos brasileiros, conforme dados do Ministério dos Direitos Humanos e da
Cidadania (MDHC). As projeções indicam que, até 2070, esse grupo poderá
representar 37,8% da população total, cerca de 75 milhões de pessoas, segundo a
Agência Gov.
Diante desse contexto, a
escolha por um serviço de home care passa a exigir critérios cada vez mais
rigorosos. Segundo o enfermeiro Gregue Ranwey, especialista em Home Care, a
principal preocupação das famílias é garantir que o paciente receba um cuidado
humano, contínuo e tecnicamente seguro. “As pessoas não estão apenas
contratando um serviço. Elas estão confiando a saúde, a rotina e o bem-estar de
alguém que amam. Por isso, buscam profissionais qualificados, mas também
empatia e comunicação clara”, explica.
Um dos erros mais comuns nesse
processo, de acordo com o especialista, é focar apenas no valor do serviço ou
na quantidade de horas de atendimento, sem avaliar a estrutura que sustenta o
cuidado. Aspectos como supervisão de enfermagem, capacitação contínua da
equipe, plano de cuidado individualizado e acompanhamento clínico fazem toda a
diferença nos resultados. “Home care não é apenas estar presente no domicílio.
É planejar o cuidado, monitorar a evolução do paciente e ajustar condutas
sempre que necessário”, destaca Gregue.
Além da estrutura técnica,
outro ponto decisivo para as famílias é a confiança na equipe que estará dentro
de casa. O cuidado domiciliar envolve intimidade, rotina e adaptação ao
ambiente familiar, o que exige profissionais preparados não apenas do ponto de
vista técnico, mas também emocional.
Nesse sentido, a comunicação
aparece como um fator central na percepção de qualidade do serviço. A falta de
alinhamento entre equipe, paciente e familiares sobre o plano de cuidado, a
evolução clínica e as necessidades do dia a dia costuma gerar insegurança e
frustração. “As famílias buscam transparência. Elas querem entender o que está
sendo feito, por que está sendo feito e quais são os próximos passos. Quando
isso não acontece, a sensação é de abandono, mesmo com alguém presente”, afirma
o especialista.
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