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| Foto Reprodução |
Julio Casares renunciou ao cargo nesta quarta-feira
e não ocupa mais a cadeira de presidente do São Paulo. O agora ex-dirigente fez uma publicação
nas redes sociais para confirmar a saída do cargo máximo do executivo tricolor.
Depois de perder na votação do Conselho Deliberativo, Casares oficializou o seu pedido de renúncia antes da assembleia dos sócios, que poderia confirmar o impeachment. Agora, essa assembleia não vai mais acontecer.
No Conselho, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment do
presidente, em pleito na sexta-feira passada marcado por muitos
protestos de torcedores contra Casares. Foram 45 votos contra e dois em branco.
Agora, o vice Harry Massis Junior, de 80 anos, assume
a função até o fim do mandato, em dezembro de 2026.
Confira a
carta de Casares na íntegra:
Ao longo de minha trajetória à
frente da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta
seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a defesa da instituição,
sempre orientado pelo respeito à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.
Nos últimos meses, o clube
passou a viver um ambiente de intensa instabilidade, marcado por ataques
reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o
debate institucional legítimo.
Formou-se, assim, um contexto de grave
contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e
suposições foram apresentadas como certezas, em um processo que, aos poucos,
transformou versões construídas em verdades aparentes.
Não afirmo, neste momento, autoria,
métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser
devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Contudo, é impossível ignorar
que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama
política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes
incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de
registrar.
Esse cenário afetou profundamente a
governança do clube e, de forma absolutamente inaceitável, ultrapassou os
limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.
Não renunciei anteriormente porque
entendi ser meu dever exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao
contraditório.
Enfrentei esse processo de maneira
direta, presencial e com dignidade, mesmo diante de um ambiente já contaminado
por narrativas previamente construídas.
Na prática, a manifestação realizada na
tribuna foi o único espaço efetivo que me foi concedido para apresentar minha
defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção
de provas e o pleno esclarecimento dos fatos.
A decisão tomada por este Conselho
encerra um processo de natureza política.
Respeito essa decisão, ainda que dela
discorde, e reafirmo, com absoluta convicção, que jamais pratiquei qualquer
irregularidade.
Minha renúncia não representa
confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram
dirigidas.
Diante da continuidade desse ambiente,
da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família
de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa
política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube,
apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta
data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a
Assembleia Geral.
Faço questão de registrar que deixo um
clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a
disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância.
Destaco, de forma especial, a conquista da Copa do Brasil de 2023, título
inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido
desenvolvido ao longo da gestão.
Esse desempenho é fruto do esforço
conjunto de atletas, comissão técnica e profissionais do clube, aos quais
manifesto meu respeito e confiança.
Tenho absoluta convicção de que
seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o apoio da torcida e
da instituição.
Meu afastamento também tem como
objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e
isenta, sem qualquer alegação de interferência, para que a verdade possa ser
plenamente buscada e alcançada.
Reitero, por fim, minha certeza de que
o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer cargo, circunstância
ou narrativa construída.
Ao São Paulo Futebol Clube, amor de infância e da minha vida, jamais
renunciarei. Renuncio, sim, ao ambiente de conspirações, distorções, mentiras e
disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar
trajetórias, biografias e a própria história do clube.
Despeço-me com respeito, gratidão e
amor permanente por esta instituição, que sempre honrarei.
Júlio Casares
A gestão
Casares
Foi no dia
12 de dezembro de 2020 que começou a gestão Julio Casares, eleito a primeira
vez para o triênio 2021-2023. No período, registrou a conquista do Campeonato
Paulista em 2021 sob o comando de Hernán Crespo, encerrando um jejum de 16 anos
no Estadual. Em 2022, foi vice do mesmo Paulistão e também da Sul-Americana,
sob o comando de Rogério Ceni.
No fim de
2023, foi reeleito para o triênio 2024/2026. Em seu primeiro ano, tirou o time
da fila da Copa do Brasil, com a conquista sob o comando de Dorival Júnior. No
ano seguinte, venceu a Supercopa contra o Palmeiras, com Thiago Carpini.
A conquista
da Copa do Brasil, porém, teve um preço alto para o clube, que fez contratações
de impacto, com Lucas Moura e James Rodríguez, e recusou algumas ofertas de
vendas a jogadores como Pablo Maia, Welington e Rodrigo Nestor. A dívida,
então, saltou de R$ 635 milhões de 2021 para R$ 968 milhões em 2024. O
desequilíbrio obrigou o clube a mudar sua rota, adotando práticas
administrativas diferentes a partir da criação do Fundo de Investimento em
Direitos Creditórios (FIDC).
Em 2025, o
péssimo desempenho esportivo somado às negociações de jovens jogadores a preços
abaixo de mercado derrubaram a popularidade de Casares. No fim do ano, a
confiança do torcedor na gestão despencou com a publicação do ge sobre a venda clandestina de um camarote do Morumbis.
Impeachment
Conselheiros
do São Paulo protocolaram em 23 de dezembro, dias antes
do Natal, um requerimento com 57 assinaturas pedindo a convocação de reunião
extraordinária para discutir o impeachment do presidente Julio Casares. O
documento foi protocolado pelo grupo que reúne conselheiros da oposição do São Paulo, o Salve o Tricolor Paulista, com a assinatura,
também, de 13 membros de grupos de situação.
Enquanto o
caso do camarote ganhava destaque, a Polícia Civil já mantinha inquérito aberto
atuando em algumas frentes de investigação, uma delas sobre supostas
irregularidades no departamento de futebol, e outra em relação às contas
bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.
A Polícia
Civil investiga, por exemplo, a razão do recebimento de R$ 1,5 milhão por
depósitos em dinheiro nas contas de Julio Casares. Outra investigação tenta
explicar a razão de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025,
totalizando R$ 11 milhões.
Fonte: G1 SP

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