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| Foto: Reprodução |
Há quase dois anos, a
Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), em parceria com o
Sebrae-CE, empreende uma silenciosa, mas produtiva revolução no
rebanho bovino leiteiro dos pequenos
produtores rurais nas várias regiões do estado. Usando embriões de
reprodutores de alta linhagem, o programa, denominado Fertilização in
Vitro (FIV), pretende, nos próximos anos, acrescentar 500 mil litros de
leite/dia à produção estadual. Já em pleno desenvolvimento nos municípios
de Milhã, Solonópole, Senador Pompeu, Independência e Cedro, o FIV está agora
avançando noutras áreas do Ceará.
O presidente da Faec,
Amílcar Silveira, transmitiu ontem ao universo da agropecuária cearense a
notícia de que, hoje, o rebanho bovino leiteiro do pequeno
pecuarista cearense produz apenas 6,6 litros/dia em
média, algo muito raquítico diante dos 20 a
30 litros/dia que podem ser produzidos como consequência do FIV,
o que já se provou nos municípios onde o programa se desenvolve,
ou seja, pela melhoria genética do rebanho.
“Estamos com foco nos pequenos
pecuaristas que têm de 10 a 30 vacas receptoras (o que pode
ser entendido como “barrigas de aluguel”) nas quais se introduz o embrião.
O beneficiário paga apenas 30% do custo da fertilização, cabendo
à Faec/Sebrae os restantes 70%. O FIV está mudando a pecuária leiteira nos
sertões do Ceará, e nosso objetivo é acrescentar mais 500 mil litros
de leite por dia à produção do estado”, diz, sorrindo de orelha a
orelha, o presidente da Faec.
O FIV, que utiliza a mais
moderna tecnologia biogenética, permite o sexado de fêmea,
também chamado de sêmen sexado, por meio do qual é separado
o espermatozóide do touro para produzir, com 90% de acerto, bezerras,
segundo revela a IA do Google.
“Podemos antecipar que 91% dos
embriões que vão nascer de Girolando ou de mestiços
serão sexados de fêmea. Assim, estamos a fazer uma radical mudança na
pecuária do pequeno produtor do interior do Ceará. Por enquanto, estamos
entregando, anualmente, duas mil prenhezes” (fêmeas em períodos de
gestação)” disse Amílcar Silveira,
Ele informou que, para apoiar
o FIV, a Faec, com apoio do Sebrae-CE, implementou um programa de produção
de forrageiras (plantas cultivadas para a alimentação animal, como milho,
sorgo, palma, soja e capim).
“Implantamos, no ano passado
de 2025, áreas de forragem em 497 pequenas fazendas. Nossa
meta é implantar, anualmente, essas áreas de forragem em 500 fazendas
do Ceará. Esta é uma básica e elementar providência, pois a seca uma hora vem,
outra hora não vem, e devemos estar sempre preparados para enfrentar a escassez
de chuvas”, disse o presidente da Fiec.
Amílcar Silveira lembrou
que, entre 2012 e 2017, o Ceará viveu um período de escassez hídrica
porque a pluviometria ficou aquém da média histórica, “mas, mesmo assim,
a sua pecuária leiteira cresceu muito, graças a providências como
essa de guardar, em silos de superfície ou de trincheira, a forragem que
alimenta o rebanho”.
Ontem, esta coluna abordou a
questão das dúvidas que pairam a respeito da estação de chuvas deste 2026, a
qual, de acordo com a Funceme, tem apenas 20% de probabilidade de ser
acima da média histórica, havendo 40% e chance de ser na média e 40% de ser
abaixo da média, o que já está acontecendo em grande parte da geografia
estadual do Ceará. Ao ler a coluna, o industrial e, também, agropecuarista
Beto Studart transmitiu uma mensagem à coluna, na qual revela, com
seu conhecido entusiasmo, o seguinte:
“Em Pindoretama, há três dias,
chove. E copiosamente!”.
Pindoretama, que hospeda a
Fazenda Chica Doce, de Beto Studart, tem sua geografia abençoada por Deus: está
na faixa litorânea do Ceará, que, mesmo nos períodos de baixa
pluviometria, recebe boas chuvas e mantém permanente sua verdejante paisagem. É
assim, também, na Serra da Ibiapaba, onde as chuvas irrigam a terra que produz
de tudo, principalmente hortifrutis. Mas no Sertão Central, nos
sertões de Crateús e Tauá, na Região dos Inhamuns e mesmo no Cariri, em épocas
como a de agora, o olhar do agropecuarista está sempre voltado para o céu em
busca de sinais de chuva.
Resumindo: com chuva ou sem
ela, o cearense, que é o melhor produto do Ceará, tem enfrentado e vencido os
desafios impostos pela natureza.
CARLOS PRADO É CIDADÃO
HONORÁRIO DO PIAUÍ
Carlos Prado, fundador da
Itaueira Agropecuária e da Ceará Máquinas Agrícolas (Cemag), tornou-se Cidadão
Honorário do vizinho Estado do Piaui. A Assembleia Legislativa de lá aprovou,
por unanimidade, projeto de lei do deputado Hélio Oliveira, concedendo o título
de Cidadão Piauiense ao empresário que hoje é presidente do Conselho da
Itaueira e CEO da Cemag.
A Itaueira produz e
exporta melão e melancia em suas fazendas localizadas no Piauí, no Ceará e na
Bahia, dando emprego a 3.500 pessoas. A Cemag, por sua vez, produz
máquinas e implementos agrícolas em Fortaleza, os quais são
comercializados em todo o país, principalmente nos grandes estados produtores
de grãos e frutas.
Carlos Prado, que nasceu em
São Paulo, já é cidadão honorário do Ceará e da Bahia.

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