Nos últimos anos, o cortisol
passou a ser frequentemente apontado nas redes sociais como o grande
responsável por alterações no corpo associadas ao estresse, como o chamado
“rosto de cortisol” e, mais recentemente, a “barriga de cortisol”, termo usado
para descrever o acúmulo de gordura abdominal.
No entanto, especialistas
alertam que a relação não é tão direta quanto parece.
O cortisol é um hormônio
essencial para o funcionamento do organismo. Produzido pelas glândulas
suprarrenais, ele desempenha funções fundamentais, como a regulação do
metabolismo, o controle da glicemia (nível de açúcar no sangue) e a modulação
do sistema imunológico.
De acordo com o
endocrinologista Rafael Buck, diretor do Departamento de Adrenal e Hipertensão
da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o cortisol é
conhecido como “hormônio do estresse” porque participa da resposta do corpo a
situações de ameaça ou doença.
“O estresse crônico pode
aumentar um pouco os níveis de cortisol, mas ele não tem a capacidade direta de
fazer a pessoa ganhar muita gordura abdominal. Isso porque o ganho de peso
ligado ao estresse é multifatorial”, explica.
Estresse e ganho de peso:
fatores envolvidos
Especialistas destacam que o
aumento de peso associado ao estresse envolve diversos fatores combinados,
como:
- Alterações no padrão alimentar, com maior
consumo de alimentos calóricos;
- Redução da prática de atividade física;
- Distúrbios do sono;
- Mudanças hormonais e comportamentais.
Ou seja, embora o estresse
crônico possa influenciar o organismo, ele não atua isoladamente como causa
direta do acúmulo de gordura abdominal.
Em casos específicos, como na
síndrome de Cushing — condição clínica caracterizada por produção excessiva de
cortisol — pode haver redistribuição de gordura corporal. No entanto, trata-se
de uma doença rara, diagnosticada por avaliação médica e exames laboratoriais.
A orientação dos especialistas
é buscar acompanhamento profissional em caso de sintomas persistentes, além de
investir em hábitos saudáveis para controle do estresse, como prática regular
de exercícios, alimentação equilibrada e sono adequado.
Postar um comentário