De acordo com dados do
LinkedIn, divulgados em 2025, as mulheres ocupam 31,8% dos cargos de liderança
no Brasil, sendo que 43,4% da força de trabalho do país é feminina. Os números
classificam o território como o 29º país com maior representação, tendo posições
de gerência ocupadas por mulheres. Neste cenário, no qual as informações
refletem não apenas transformações estruturais no universo corporativo, como
também formas de liderar cada vez mais orientadas por propósito, resiliência e
visão de longo prazo, três empreendedoras compartilham os principais
desafios que enfrentaram ao longo da carreira, os erros que se transformaram em
aprendizados e as práticas que adotam para manter alta performance. Confira:
“Precisei aprender a aproveitar as vantagens que a maturidade nos dá” -Sônia Ramos, fundadora da Casa de Bolos
Em 2009, depois de ver o filho caçula ser demitido, Sônia Ramos, então com 64 anos, decidiu vender seus bolos caseiros para complementar a renda familiar. No começo, a matriarca enfrentou a desconfiança que as pessoas tinham no potencial do bolo caseiro e na possibilidade de produção em larga escala. Foi neste ponto que a maturidade aliada à experiência de vida foi essencial na jornada profissional da empreendedora. “A maturidade nos dá o benefício de toda a experiência de vida e, por isso, as pessoas mais velhas trazem consigo uma riqueza de conhecimento e sabedoria que gera mais tranquilidade para alcançar os resultados”, afirma. Hoje, aos 80 anos, Sônia Ramos, em conjunto com os filhos, segue por trás da rede que, com mais de 600 unidades pelo país e uma loja inaugurada na Europa, em Lisboa (PT), produz diariamente 600 bolos, atende cerca de 250 municípios e prevê faturar R$ 800 milhões em 2026.
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“Tive burnout duas vezes. Isso me fez repensar e priorizar a minha saúde mental, afinal, sem isso, não é possível ter sucesso em nenhuma área da vida. Hoje invisto na meditação e tempo de qualidade em família para recarregar as energias” -Camila Miglhorini, CEO e fundadora da Mr. Fit
Camila sempre acreditou em uma alimentação saudável, mas tinha dificuldade de encontrar opções rápidas e saborosas. Em 2011, após sair do seu emprego, decidiu fundar a Mr. Fit, rede pioneira no conceito de fast-food saudável no Brasil, na cidade de Paulínia, interior de São Paulo. Com apenas R$ 45 mil, oriundos da venda de um carro e de sua rescisão trabalhista, Camila montou seu negócio em um pequeno espaço e começou a oferecer refeições, sanduíches e outras iguarias saudáveis, como estrogonofe de biomassa de banana-verde e sucos funcionais. Com 15 anos de operação e mais de 880 unidades em 26 estados brasileiros, além de unidades em Portugal e Paraguai, Camila entende que sua gestão de alta performance é sustentada por um rigoroso ritual matinal de meditação e exercícios.
“Todos os dias, reservo alguns minutos pela manhã para meditar e praticar atividade física para acalmar a mente antes de começar as atividades, isso me ajuda a manter o foco e a clareza mental para lidar com o estresse de maneira mais equilibrada”, revela.
Para a executiva, o sucesso nos negócios é inegociável se não houver conexão genuína com a vida familiar e pausas regenerativas.________________________________________________________________________________
“Tive que aprender a ter paciência e muita persistência para não desistir no primeiro percalço” -Valquíria de Marco, sócio-fundadora e diretora de produção da Le Petit Macarons
Uma viagem à França inspirou
Valquíria de Marco, sócio-fundadora e diretora de produção da Le Petit
Macarons, a criar a primeira boutique brasileira especializada no doce
francês no Brasil. Ao voltar ao Brasil, depois de uma viagem de férias proposta
por Roger Righi Coelho, hoje seu sócio, ela adaptou a receita francesa para
agradar o paladar brasileiro. Para isso, a empreendedora se dedicou a realizar
testes por mais de um ano até chegar ao sabor ideal. “O primeiro grande
desafio foi empreender com algo tão específico, difícil de fazer e pouco
conhecido no Brasil na época: os macarons. Foi preciso ter muita persistência
para não desistir nos primeiros problemas e no primeiro erros, várias
tentativas foram necessárias até chegar à receita do sucesso”, conta a
empresária. A rede conta hoje com 28 unidades e tem a meta de abrir mais duas
até o final do ano, além de conquistar mercados internacionais, evidenciando
como o empreendedorismo feminino pode brilhar em um setor tão competitivo.
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