Em um episódio que ganhou repercussão política e midiática, a deputada estadual Dra. Silvana (PL) rasgou em público o documento do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio durante discurso na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). A parlamentar criticou duramente o pacto lançado pelo governo federal por não incluir as igrejas e a presença religiosa como elementos centrais na estratégia de combate à violência contra as mulheres.
Gesto simbólico e críticas à iniciativa
O gesto de rasgar o pacto ocorreu na manhã desta quinta‑feira e foi justificado por Dra. Silvana como um ato de posicionamento político e ideológico. Segundo ela, o documento — apresentado às vésperas pelos representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário — seria “um fingimento” porque “não inclui Deus, as igrejas e a família” como pilares no enfrentamento ao feminicídio.
“Sem as igrejas, sem Jesus, é impossível combater o feminicídio”, afirmou a deputada durante seu discurso, enfatizando que a ausência explícita de instituições religiosas no pacto tornaria ineficaz qualquer política pública de combate à violência fatal contra mulheres e meninas. Ela acrescentou que a crise de violência está associada, em sua visão, à falta de adesão aos preceitos do Santo Evangelho.
Reação e contrapontos na Alece
A postura de Dra. Silvana recebeu respostas imediatas de outras parlamentares presentes na sessão. A deputada Larissa Gaspar (PT) — que participou da construção do pacto no âmbito estadual — lamentou o gesto e reforçou a importância da iniciativa, que busca articular políticas públicas de prevenção, proteção e responsabilização de agressores.
Gaspar argumentou que, embora o pacto tenha sido formalizado entre os três Poderes, há a intenção de ampliar a participação da sociedade civil, movimentos sociais e religiosos no desenvolvimento e execução de estratégias para enfrentar o feminicídio, desmentindo a ideia de que igrejas estariam excluídas do processo. Ela ainda convidou Dra. Silvana a integrar esse esforço coletivo.
Debate mais amplo sobre a violência contra a mulher
O gesto de rasgar o pacto ocorre em um contexto de preocupações públicas com a violência letal contra mulheres no Brasil. Dados oficiais indicam que, em 2025, o país registrou um novo recorde de feminicídios, com 1.470 casos, superando o total de 2024 — que já havia sido a maior marca até então.
Especialistas consultados em debates nacionais sobre o pacto — como o realizado no Senado no ano passado — apontam que um desafio central para a redução desses índices é justamente a integração entre políticas públicas, ações estaduais e municipais, e redes de apoio à mulher, incluindo educação, capacitação de agentes públicos e redução de barreiras ao acesso à proteção.
Repercussão política e social
A fala de Dra. Silvana também incluiu críticas diretas ao governo federal, que ela acusou de promover uma suposta “queda de braço entre homens e mulheres” e de fragilizar a família tradicional. Suas declarações geraram debate acalorado no plenário e entre diferentes setores da sociedade, com alguns apoiando a crítica à ausência religiosa no pacto e outros defendendo que a abordagem para combater o feminicídio deve ser ampla, plural e baseada em evidências científicas e sociais, não apenas em princípios religiosos.
Resumo: a deputada Dra. Silvana rasgou em discurso o documento do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, criticando a falta de menção às igrejas e à fé religiosa como parte da estratégia contra a violência letal contra mulheres. A atitude provocou reação de outras parlamentares, que defenderam a necessidade de união institucional e social no enfrentamento ao feminicídio e a abertura de diálogo com diversos segmentos da sociedade.
Postar um comentário