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| Foto: Reprodução |
Em menos de 10 minutos, o
comerciante Carlos Henrique Silva, de 42 anos, perdeu R$ 5,6 mil ao cair em
um golpe
do pix. O dinheiro, segundo ele, estava guardado para pagar fornecedores e
despesas da família.
O golpe começou com uma
ligação telefônica durante a tarde de trabalho. Do outro lado da linha, um
homem se apresentou como funcionário do setor de segurança do banco e afirmou
que havia uma compra suspeita sendo realizada na conta de Carlos. “Ele falou meu
nome completo e disse que precisava confirmar alguns dados para evitar um
prejuízo maior”, relata.
Assustado, o comerciante
seguiu as orientações do suposto atendente. “Ele dizia que era urgente e que,
se eu desligasse, o dinheiro seria todo retirado da conta”, conta. Na
sequência, Carlos foi orientado a acessar o aplicativo do banco e realizar
depósitos bancários via pix em uma conta que teria a função de “proteger” o
valor.
“Ele disse que era só um
procedimento temporário, que o dinheiro voltaria automaticamente”, afirma. Em
poucos minutos, foram feitas quatro transferências. O golpe ficou evidente
quando a ligação foi encerrada e o valor não retornou. “Quando percebi, o saldo
estava zerado e ninguém mais atendia. Foi aí que caiu a ficha”, lamenta.
Ao procurar o banco, Carlos
foi informado de que o dinheiro havia sido rapidamente transferido para
diversas contas, o que dificultou a recuperação imediata. “Explicaram que o
valor foi pulverizado e, por isso, as chances eram menores. Isso revolta, porque
a gente trabalha duro para conquistar as coisas e depois perder assim”,
desabafa.
Em 2025, de acordo com o Fórum
Brasileiro de Segurança Pública, 24 milhões de brasileiros, isto é, 14% da
população, foram vítimas de golpes via pix ou boletos falsos. O prejuízo é
estimado em mais de R$ 28 bilhões. Os crimes mais comuns envolvem falsas centrais
de atendimento, lojas virtuais falsas e perfis clonados no WhatsApp. “Espero
que ninguém mais passe pelo que eu passei”, conclui Carlos. “É um sentimento de
impotência muito grande”.
Consultoria segurança pública
Mas recuperar o dinheiro em
casos como o de Carlos pode ficar mais fácil a partir deste mês: já está em
vigor o Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), criado e regulamentado pelo
Banco Central para combater golpes e fraudes envolvendo o Pix.
Na prática, o MED 2.0 aprimora
o sistema anterior e faz o rastreamento do dinheiro em cadeia, indo além da
primeira conta que recebeu o valor fraudado. O sistema, que pode ser acionado
pelo próprio usuário, também prevê bloqueio preventivo de contas suspeitas e um
botão de denúncia direto nos aplicativos bancários, facilitando a comunicação
do consumidor.

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