“O Estado precisa chegar antes”: ministra detalha Pacto Nacional contra o Feminicídio

 

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, detalhou os objetivos e a abrangência do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em 4 de fevereiro. A iniciativa inédita articula os Três Poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — para enfrentar a violência de gênero, que vitima, em média, quatro mulheres a cada 24 horas no país.

“Precisamos chegar antes. O Estado precisa chegar antes e, para isso, toda participação é muito importante”, afirmou a ministra, destacando a complexidade de articular ações em 5.570 municípios e 27 unidades federativas.

O pacto tem como metas prevenir a violência de gênero, acelerar medidas protetivas e fortalecer redes de atendimento às mulheres em todo o território nacional. “Que elas sejam acolhidas nas delegacias, sejam mulheres indígenas, da rua, de todos os setores, principalmente mulheres negras, que sofrem com racismo e preconceito”, disse Lopes.

A ministra ressaltou o protagonismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao recriar o Ministério das Mulheres, estabeleceu como prioridade o enfrentamento às desigualdades e violências contra brasileiras. Segundo Lopes, o Pacto também busca transferir responsabilidade aos homens, especialmente em posições de poder, na luta contra a violência de gênero.

Entre as ações práticas estão a campanha “Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada”, que inclui ações nos estádios de futebol, e a campanha de Carnaval “Se liga ou eu ligo 180”, com distribuição de materiais educativos em todo o país. O Pacto atua em sinergia com políticas como Patrulha Maria da Penha, Casas da Mulher Brasileira e o Disque-Denúncia 180.

Lopes reconheceu desafios estruturais, como o machismo institucionalizado, mas destacou que o Pacto representa uma ferramenta de transformação, com o compromisso ético e operacional dos Três Poderes. “Se o Legislativo, o Judiciário e o Executivo atuarem juntos e com comprometimento, não há dúvida de que a vida das mulheres vai melhorar”, concluiu.


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