A Justiça do Ceará decidiu manter as prisões temporárias dos quatro investigados por suspeita de participação em um suposto esquema de corrupção envolvendo o contrato de coleta de lixo da Prefeitura do Crato, na Região do Cariri. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (4), no 1º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias, em Juazeiro do Norte.
Permanecem presos por cinco dias o ex-vereador Francisco Xenofonte de Morais, conhecido como Antônio de Mano; o vereador Cícero Antônio Lobo Soares, o Tota Lobo; o empresário Alfredo Antônio Alencar Gomes; e Franklin Pereira Rodovalho. Todos são investigados pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) na Operação Peso de Ouro, que apura possíveis irregularidades em contratos públicos relacionados à coleta de resíduos sólidos no município.
A defesa de Tota Lobo e Antônio de Mano, representada pelo escritório Luciano Daniel Advocacia, afirmou em nota que os investigados confiam na Justiça e estão tranquilos diante das acusações. Os advogados destacaram ainda que, durante o período em que exerceram o cargo de secretário municipal de Serviços Públicos, ambos não cometeram qualquer ilícito ou ato de improbidade administrativa.
Segundo a defesa, a legalidade dos atos administrativos será demonstrada ao longo da instrução processual, que ainda não tem data definida para ocorrer. Os representantes legais dos investigados também ressaltaram que o procedimento conduzido pelo Ministério Público ainda está em fase de investigação e que não há sentença condenatória ou ação penal iniciada contra os envolvidos.
Até o momento, a reportagem não conseguiu localizar os advogados que representam o empresário Alfredo Alencar e Franklin Pereira Rodovalho. O espaço permanece aberto para manifestações.
Investigação
De acordo com o Ministério Público do Ceará, a Operação Peso de Ouro foi deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com apoio de promotores de Justiça e policiais do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil.
As investigações apontam que a Prefeitura do Crato pagava à empresa responsável pela coleta de lixo com base na quantidade de toneladas de resíduos recolhidos. No entanto, segundo o MPCE, há indícios de que a pesagem do material não era realizada de fato.
Conforme o órgão, agentes públicos atestavam mensalmente pesagens no limite máximo do contrato, o que teria autorizado pagamentos milionários à empresa sem que o serviço correspondente tivesse sido efetivamente prestado. As supostas irregularidades teriam ocorrido entre 2021 e 2024.
Durante a operação, também foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em órgãos públicos, empresas e residências localizadas nas cidades do Crato e Juazeiro do Norte. No local, os agentes recolheram documentos, celulares e computadores que agora passam por análise pericial.
Caso as suspeitas sejam confirmadas, os investigados podem responder por crimes como peculato, fraude em contrato público, falsidade ideológica e associação criminosa.
Prefeitura afirma colaborar com as investigações
Após a deflagração da operação, o prefeito do Crato, André Barreto Esmeraldo, divulgou nota afirmando que acompanha as apurações conduzidas pelo Ministério Público e determinou total colaboração da administração municipal com os órgãos responsáveis pela investigação.
O gestor ressaltou que não é alvo da investigação e que também não há citação contra membros do atual secretariado na decisão judicial que autorizou a operação. Segundo o prefeito, a gestão municipal mantém compromisso com a legalidade, transparência e responsabilidade na condução da administração pública.
André Barreto também orientou os servidores municipais a manterem padrões de ética e respeito à legalidade durante o andamento das investigações.
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