Vaqueiro tinha sonho de ter os próprios cavalos e construir a vida na vaquejada.
A morte do vaqueiro Francisco
Eudásio Lira Soares, de 30 anos, conhecido como Dadá Guedes, continua
causando comoção no meio da vaquejada cearense.
Em entrevista ao Diário
do Nordeste, a companheira dele, Kamila Silveira, revelou que um amigo da
vítima chegou a tentar impedir o ataque e segurar o suspeito após
o crime, mas o homem conseguiu escapar em uma motocicleta e
segue sendo procurado pela polícia.
Dadá
foi morto a facadas na noite do último domingo (7), em um parque de
vaquejada de Quixeramobim, após um desentendimento relacionado à divisão de um
prêmio conquistado durante a competição.
Segundo Kamila, o casal
mantinha um relacionamento há seis anos e o dia havia transcorrido normalmente
até a tragédia.
“A gente passou como qualquer
outra vaquejada nos caminhões, brincando todo mundo junto, comendo carne ali.
Os meninos sempre correndo no retorno e voltavam para o caminhão para
socializar e ficar ali naqueles moídos de vaquejada, conversando”, relatou a
esposa do vaqueiro.
Suspeito era amigo e convivia
com o grupo
De acordo com Kamila, o homem
apontado como autor do crime era conhecido do grupo e frequentava os mesmos
ambientes das competições.
“Quando o Dadá estava em
Quixeramobim, sim, ele convivia com a gente. Era amigo, conhecido",
contou.
Camilia diz não saber o que
motivou o suspeito a atacar o companheiro dela. Segundo o relato, um
amigo do vaqueiro percebeu a tensão e tentou impedir que o suspeito se
aproximasse.
Kamila relata que o ataque
aconteceu rapidamente: “Quando o Dadá chegou no caminhão, encostou, ele já foi
para cima".
Após o crime, o mesmo amigo
ainda tentou conter o suspeito. “Esse amigo do Dadá tentou segurá-lo de todas
as formas ali na hora. Mas foi muito rápido. Ele já tinha dado uma furada no
Dadá. O menino veio com tudo, jogou o cavalo por cima dele, ele ainda caiu, mas
muito rápido levantou, pegou a moto e saiu”, declarou a companheira do
vaqueiro.
O momento em que recebeu a
notícia do ataque
Kamila não estava mais no
parque quando o crime aconteceu. Ela havia deixado o local para seguir viagem
com a avó para Fortaleza, onde a idosa passaria por uma consulta médica.
Ainda no trajeto, começou a
receber ligações informando que Dadá havia sido esfaqueado e levado para uma
unidade de saúde.
“Antes de eu chegar em casa,
os meninos começaram a me ligar falando que tinha acontecido e que ele estava
na UPA de Quixeramobim", relatou.
A companheira conta que entrou
em desespero ao saber da gravidade dos ferimentos. “Perguntei como ele estava.
Disseram que os médicos estavam com ele, mas que ele estava perdendo muito
sangue", contou.
Pouco depois, veio a
confirmação da morte. "Um amigo me ligou e disse: ‘Kamila, os médicos
fizeram de tudo, o que podiam e o que não podiam, mas ele perdeu muito
sangue’”. Segundo ela, a facada na região da virilha foi determinante para a
morte do companheiro.
Sonho era ter os próprios
cavalos e construir a vida na vaquejada
Muito conhecido no circuito
nordestino, Dadá dedicou a vida às competições. Conforme Kamila, a vaquejada
era mais do que uma profissão: era a paixão que movia o companheiro.
Ela conta que o vaqueiro teve
uma infância difícil, foi criado pelos avós e começou cedo a trabalhar para
sobreviver.
“Ele tinha tudo para ser uma
pessoa revoltada com a vida, mas tinha um coração muito grande. Quem conhecia o
Dadá sabia".
Kamila afirma que o maior
sonho dele era crescer dentro da vaquejada. “Como todo vaqueiro, ele sonhava em
ter seus cavalos, seu caminhão. Ele não tinha ainda. Corria sempre para um
patrão. A vida de vaqueiro não é fácil e ele veio de baixo".
Ainda segundo ela, toda a
renda do companheiro vinha das competições. “O sustento dele toda vida ele
tirou disso. Ele não tinha outro ganha-pão. O ganha-pão dele era trabalhar com
vaquejada, que era o que ele mais amava", disse.
O que diz a polícia
A Secretaria da Segurança
Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou que a Polícia Civil investiga
as circunstâncias do homicídio doloso.
Equipes da Polícia Militar e
da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foram acionadas para atender a
ocorrência e realizar os primeiros levantamentos.
Segundo a SSPDS, a Delegacia
de Polícia Civil de Quixeramobim conduz as investigações.
“A Delegacia de Polícia Civil
de Quixeramobim está a cargo dos trabalhos investigativos com o intuito de
elucidar as informações acerca do caso, bem como identificar e capturar os
suspeitos de envolvimento com o crime”, informou a pasta em nota.
Fonte: João Lima Neto-Diário do Nordeste
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