Na prática, a mudança permite que empresas europeias e chinesas realizem determinadas transações diretamente em yuan, sem a necessidade de converter o euro em dólar antes de efetuar operações comerciais com a China.
A medida faz parte de um movimento mais amplo de Pequim para internacionalizar o yuan e reduzir, gradualmente, a dependência do dólar nas transações internacionais. O objetivo está alinhado às estratégias econômicas estabelecidas nos planos quinquenais chineses, que definem metas de desenvolvimento para o país.
A escolha do Deutsche Bank também tem um peso estratégico. A instituição alemã vem ampliando sua atuação para facilitar o comércio entre China e Europa e já utiliza o CIPS, sistema chinês de comunicação financeira criado como alternativa ao SWIFT, rede atualmente predominante nas transações bancárias internacionais.
Tanto o CIPS quanto o SWIFT permitem que instituições financeiras troquem informações necessárias para a realização de pagamentos e outras operações internacionais. A expansão do sistema chinês, portanto, também representa uma tentativa de Pequim de ampliar sua influência sobre a infraestrutura financeira global.
Apesar dos avanços, o yuan ainda está distante de ameaçar a liderança do dólar. Em junho deste ano, a moeda chinesa respondeu por 3,1% das transações internacionais, enquanto o dólar permanece amplamente dominante no sistema financeiro mundial.
A estratégia chinesa, no entanto, é de longo prazo: ampliar gradualmente o uso do yuan no comércio exterior, fortalecer seus sistemas financeiros e criar alternativas à infraestrutura financeira liderada pelos Estados Unidos.
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