Quem estudou Geografia na escola provavelmente já ouviu falar do El Niño. O fenômeno aparecia nos livros didáticos acompanhado de mapas e explicações sobre o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e suas consequências para o clima mundial.
Agora, o assunto volta ao centro das atenções diante das projeções para os próximos meses.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
No Brasil, os efeitos variam conforme a região. No Nordeste, a preocupação está principalmente relacionada à possibilidade de calor intenso, períodos de chuva abaixo da média, baixa umidade e agravamento das condições de seca.
O que esperar dos próximos meses?
Projeções divulgadas recentemente apontam para uma possível intensificação do fenômeno ao longo do fim de 2026 e início de 2027.
Setembro já registra episódios de calor intenso em diferentes áreas do país, com alertas meteorológicos emitidos para regiões sob condições de temperaturas elevadas.
Para outubro e novembro, existe possibilidade de novas ondas de calor. Já o período entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027 aparece nas projeções como uma janela de maior atenção.
As previsões, porém, representam tendências. As condições podem variar entre estados e municípios e devem ser acompanhadas por meio dos boletins meteorológicos oficiais.
O que pode acontecer no Nordeste?
A combinação de temperaturas elevadas e menor ocorrência de chuvas pode afetar diferentes setores, como agricultura, criação de animais e disponibilidade de água.
Também aumenta a preocupação com rios, açudes, reservatórios, vegetação e queimadas, especialmente durante períodos prolongados de baixa umidade.
No Ceará e em outras áreas do Nordeste, trabalhadores rurais e pessoas que permanecem muitas horas expostas ao sol estão entre aqueles que precisam redobrar os cuidados.
Calor extremo também é uma questão de saúde
Temperaturas elevadas fazem o organismo trabalhar mais para controlar sua temperatura. A transpiração aumenta e, quando a perda de líquidos não é compensada, pode ocorrer desidratação.
Os principais sinais são:
- sede intensa;
- boca seca;
- fraqueza;
- tontura;
- dor de cabeça;
- cansaço;
- pouca urina ou urina escura.
Em situações mais graves, a exposição prolongada ao calor pode provocar exaustão pelo calor e insolação.
Pessoas com doenças cardiovasculares também precisam de atenção. A desidratação e o esforço adicional do organismo para eliminar calor podem aumentar a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
Dor ou pressão no peito, falta de ar intensa, desmaio, confusão mental ou perda de consciência exigem atendimento médico imediato.
Quem precisa de mais atenção?
Alguns grupos são mais vulneráveis às altas temperaturas:
- crianças;
- idosos;
- gestantes;
- pessoas com doenças crônicas;
- pessoas com doenças cardiovasculares ou respiratórias;
- trabalhadores expostos ao sol.
Crianças e idosos, em especial, podem apresentar maior dificuldade para perceber ou compensar a perda de líquidos.
Como se proteger?
A prevenção começa com medidas simples:
Beba água regularmente, sem esperar sentir sede intensa.
Evite exposição prolongada ao sol, principalmente nos horários de maior temperatura.
Use roupas leves, proteção para a cabeça e protetor solar durante atividades externas.
Faça pausas em locais protegidos e ventilados se precisar trabalhar sob o sol.
Tenha atenção com crianças e idosos, garantindo que estejam hidratados e em ambientes frescos.
Frutas e vegetais, como melancia, melão, laranja, abacaxi e pepino, também podem contribuir para a ingestão de líquidos e nutrientes. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas deve ser evitado durante períodos de calor intenso.
Baixa umidade e fumaça aumentam o problema
Além da temperatura, a população deve acompanhar a umidade relativa do ar.
Índices muito baixos podem provocar ressecamento da garganta, tosse, irritação dos olhos e desconforto respiratório, especialmente em pessoas com doenças respiratórias.
O período de calor e vegetação seca também pode favorecer incêndios e queimadas. A fumaça pode irritar as vias respiratórias e agravar problemas preexistentes.
Um fenômeno que saiu dos livros
O El Niño continua sendo o fenômeno climático estudado nas escolas, mas seus possíveis efeitos deixam de ser apenas um conteúdo de Geografia quando interferem na rotina da população.
Nos próximos meses, acompanhar as previsões, economizar água, manter a hidratação e proteger os grupos mais vulneráveis serão medidas importantes diante de possíveis períodos de calor intenso e baixa umidade.
O fenômeno não pode ser controlado, mas informação e prevenção podem reduzir os riscos à população.
Em caso de sintomas graves, procure atendimento médico imediatamente.
Redação: Stéphane Dantas
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