Um levantamento realizado na Floresta Nacional do Araripe (Flona) registrou milhares de imagens da fauna que habita a Chapada do Araripe e reforçou a importância da região para a conservação da biodiversidade no Cariri.
A pesquisa foi desenvolvida pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com apoio da associação BiodiverSe. Durante 90 dias, 60 câmeras instaladas em pontos estratégicos da Flona registraram a movimentação de animais.
De acordo com informações divulgadas pelos pesquisadores, o trabalho resultou em milhares de registros. A bióloga Raquel Soares participou da triagem e identificação de mais de 15 mil imagens.
Entre os animais registrados estão espécies como onça-parda, gato-mourisco, jaguatirica, cotia e zabelê. Também foram identificadas espécies ameaçadas de extinção, incluindo o soldadinho-do-Araripe, ave endêmica da região do Cariri.
Segundo Raquel Soares, outras espécies ameaçadas também estão presentes na Chapada, como zabelê, vira-folha, gato-do-mato-pequeno, veado, jacupemba e papagaio.
Embora as câmeras tenham sido instaladas na Flona, os animais não estão limitados às áreas definidas nos mapas de unidades de conservação. A fauna também circula pela Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, utilizando diferentes áreas em busca de alimento, água e abrigo.
Fragmentação do habitat preocupa pesquisadores
A conservação da fauna ganha importância diante das discussões sobre o futuro da Chapada do Araripe. No próximo dia 17, a Justiça Federal realizará uma audiência pública na Unileão para discutir a situação da região.
O debate ganhou força após a publicação do Plano de Manejo da APA da Chapada do Araripe, elaborado pelo ICMBio. O documento gerou questionamentos devido à classificação de quase 90% do território como potencial zona de produção.
Para pesquisadores, a expansão de atividades agropecuárias pode provocar impactos sobre os ambientes naturais, principalmente por meio da retirada da vegetação nativa e da fragmentação dos habitats, considerada uma das principais causas de perda da biodiversidade.
Entre os possíveis impactos apontados estão a redução de áreas de alimentação e reprodução, interrupção de corredores ecológicos, utilização de agrotóxicos, alterações nos recursos hídricos e aumento do risco de atropelamento de animais.
Durante períodos de estiagem, a busca por água e alimento pode intensificar os deslocamentos da fauna. Com a fragmentação dos habitats, esses movimentos podem aproximar os animais de áreas ocupadas pelo ser humano.
Ainda segundo a bióloga, processos de desmatamento também podem provocar a morte de animais durante a retirada da vegetação, especialmente quando não são realizados procedimentos adequados de afugentamento e resgate da fauna.
Os animais que conseguem sobreviver e se dispersar podem acabar se aproximando de áreas habitadas, aumentando a possibilidade de ocorrências como atropelamentos, ataques a animais de criação e entrada de espécies silvestres em residências.
Audiência pública debate futuro da Chapada
A audiência marcada para o dia 17 deverá reunir diferentes setores para discutir a situação da Chapada do Araripe. O debate ocorre em meio à necessidade de conciliar conservação ambiental, atividades econômicas e ocupação do território.
Os registros obtidos pelas câmeras de monitoramento oferecem informações sobre a presença e a circulação de espécies na região e podem contribuir para o debate sobre medidas de conservação.
A Chapada do Araripe abriga importantes áreas de vegetação e recursos hídricos e desempenha papel relevante para o equilíbrio ambiental do Cariri. Para pesquisadores e ambientalistas, considerar os dados sobre a fauna é fundamental nas decisões relacionadas ao futuro do território.
Fonte: Diário do Nordeste
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