Homem é condenado a 16 anos e 7 meses por homicídio de jovem no Crato

 


Ivanildo Leandro da Silva, de 49 anos, foi condenado a 16 anos e sete meses de reclusão pelo homicídio duplamente qualificado de Robéria Caetano de Moura, de 18 anos, no Crato, na Região do Cariri. O julgamento ocorreu nesta segunda-feira (14), na 1ª Vara Criminal da Comarca do Crato.


Segundo o Conselho de Sentença, formado pelos jurados, Ivanildo foi considerado culpado pelo crime. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.


O caso aconteceu em junho de 2024 e ganhou repercussão após o homem afirmar inicialmente que a jovem havia morrido em um acidente de trânsito. A investigação, entretanto, apontou que Robéria já estaria morta antes da colisão.


De acordo com a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), o corpo da vítima não apresentava lesões compatíveis com um acidente de trânsito. O laudo pericial apontou como causa da morte asfixia por compressão cervical.


Acidente foi registrado por câmeras

Robéria havia se encontrado com Ivanildo em um motel no Crato no dia 10 de junho de 2024. Posteriormente, os dois estavam em uma Chevrolet D-20 conduzida pelo homem quando ocorreu o acidente.


A colisão aconteceu por volta das 9h, na Avenida Duque de Caxias, e foi registrada por câmeras de segurança. As imagens mostram o veículo atravessando repentinamente a faixa de pedestres, atingindo outro carro e, em seguida, um muro.


Após a colisão, Ivanildo saiu do veículo, conversou com o motorista do outro automóvel e, posteriormente, foi até a porta do passageiro. Ele retirou Robéria, que estava desacordada, e a colocou na calçada. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte da jovem.


Em depoimento à Polícia Civil, Ivanildo afirmou que o veículo teria apresentado uma falha nos freios durante a descida da avenida, fazendo com que ele perdesse o controle. Segundo a versão apresentada inicialmente, Robéria estaria usando cinto de segurança e teria sofrido uma lesão no pescoço em decorrência da colisão.


A versão foi questionada pela família da vítima e posteriormente descartada pela perícia diante da ausência de traumas compatíveis com o acidente.


Investigação mudou rumo do caso

Segundo a delegada Camila Brito, da Delegacia de Defesa da Mulher do Crato, responsável pela investigação na época, a análise médico-legal foi fundamental para mudar a linha investigativa.


Com a conclusão do laudo, a hipótese de que a jovem havia morrido em decorrência do acidente foi descartada, e a investigação passou a considerar que a morte ocorreu antes da colisão.


A família de Robéria também informou à TV Verdes Mares que a jovem já havia se encontrado com Ivanildo cerca de uma semana antes do crime. O homem trabalhava com transporte alternativo de passageiros entre a zona rural do Crato e o Centro do município.


Com a decisão do Tribunal do Júri, Ivanildo foi condenado pelo homicídio duplamente qualificado e recebeu pena de 16 anos e sete meses de reclusão, em regime inicialmente fechado.

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