Justiça do Ceará arquiva investigação contra João Munhoz Neto por suspeitas de feminicídio

 

Foto: reprodução / Decisão da 5ª Vara do Júri de Fortaleza acolheu manifestação do Ministério Público. Acusações de violência psicológica contra a mulher e fraude processual continuarão sob análise judicial.

A Justiça do Ceará determinou o arquivamento da investigação contra João Munhoz Neto por suspeita de feminicídio e de indução, instigação ou auxílio ao suicídio de Isabelle Caracristi, de 22 anos. A decisão foi proferida na terça-feira (20), pela 5ª Vara do Júri de Fortaleza, após manifestação favorável do Ministério Público do Ceará (MPCE).


Com o arquivamento dessas suspeitas, o caso será encaminhado a um dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza, responsável por analisar as acusações de violência psicológica contra a mulher e fraude processual.


João responde em liberdade e permanece sujeito a medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.


Ministério Público apontou falta de provas suficientes

Ao acolher o pedido do MPCE, o juiz Wyrllenson Flavio Barbosa Soares considerou que as provas reunidas durante a investigação não apresentaram elementos suficientes para justificar a continuidade da persecução penal por crimes dolosos contra a vida.


O Ministério Público afirmou que não foram identificadas provas de que o investigado tivesse agido com a intenção de provocar a morte da jovem ou assumido conscientemente o risco desse resultado. O órgão também apontou a ausência de elementos que demonstrassem participação deliberada de João em um possível plano para induzir, instigar ou auxiliar Isabelle a tirar a própria vida.


O arquivamento se limita a essas suspeitas e não representa o encerramento de todo o caso. As acusações de violência psicológica e fraude processual permanecem sujeitas à análise da Justiça.


Defesa contesta acusações restantes

Em nota, a defesa de João Munhoz Neto afirmou que a decisão confirma o arquivamento das acusações de feminicídio e de indução ao suicídio. Os advogados disseram que continuarão trabalhando para demonstrar a inocência do investigado em relação às demais imputações.


Sobre as acusações de violência psicológica e fraude processual, a defesa contestou as suspeitas e declarou que João colaborou com as investigações, inclusive disponibilizando o telefone celular para perícia.


Relembre o caso

Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta em 13 de setembro, no condomínio onde morava com João Munhoz Neto, em Fortaleza. O caso ganhou repercussão nas redes sociais depois que a mãe da jovem publicou um vídeo cobrando esclarecimentos sobre a morte da filha.


Durante a investigação, a Polícia Civil ouviu 29 pessoas, entre familiares, amigos, colegas de trabalho, moradores e funcionários do condomínio. Entre os depoentes estavam a ex-mulher de João, a síndica do prédio e uma diarista.


João permaneceu preso preventivamente por cerca de dez dias e deixou o presídio em Aquiraz em 1º de outubro, após a Justiça revogar a prisão. Desde então, responde em liberdade, sob medidas cautelares.


O processo relativo às acusações que permanecem contra ele tramita sob segredo de Justiça.

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