Período de festas intensifica furtos de smartphones e facilita acesso de criminosos a contas bancárias e dados pessoais
O Carnaval, tradicionalmente marcado por festas, aglomerações e grande circulação de pessoas, também se consolida como um dos períodos mais críticos para a ocorrência de golpes digitais no Brasil. O aumento de furtos e roubos de celulares durante blocos e eventos abre caminho para crimes financeiros, como fraudes via Pix, invasão de contas bancárias e uso indevido de dados pessoais.
Somente no Carnaval de 2024, a Serasa Experian estimou 182.154 tentativas de golpe em todo o país, o que equivale a uma tentativa a cada 24 segundos. O dado evidencia como datas festivas se tornaram oportunidades estratégicas para a atuação de criminosos digitais.
Segundo o advogado Alexander Coelho, especialista em Direito Digital e Cibersegurança e sócio do escritório Godke Advogados, o ambiente típico da folia favorece a ação criminosa.
“A combinação entre distração, consumo de álcool e uso intenso do celular cria um cenário ideal para o crime. O aparelho roubado é apenas o primeiro estágio do golpe. Em poucos minutos, ele pode se transformar em porta de entrada para aplicativos bancários, redes sociais e dados pessoais sensíveis”, explica.
Do furto ao prejuízo financeiro
De acordo com o especialista, o roubo do celular costuma ser seguido por uma sequência rápida de ações criminosas. Entre os golpes mais comuns estão o esvaziamento de contas por transferências via Pix, o uso das redes sociais da vítima para pedir dinheiro a contatos próximos e o chamado golpe do falso suporte técnico, no qual criminosos se passam por atendentes de bancos ou empresas.
“O prejuízo financeiro é consequência direta da exposição digital que começa no momento do furto. Os criminosos atuam com extrema rapidez e exploram falhas básicas de segurança”, afirma Coelho.
Entre essas falhas estão senhas fracas, ausência de autenticação em dois fatores, falta de biometria e a não utilização de recursos de bloqueio remoto do aparelho.
“Muitas vezes, não é a tecnologia que falha, mas a negligência na proteção mínima do dispositivo”, pontua.
Prevenção começa antes da folia
O advogado destaca que a prevenção deve começar antes mesmo de sair de casa para aproveitar o Carnaval. Medidas simples podem reduzir significativamente os riscos.
“Reduzir temporariamente os limites de Pix, ativar biometria e autenticação em dois fatores e utilizar senhas diferentes para o celular e para aplicativos bancários são atitudes que elevam muito o nível de proteção”, orienta.
Além de proteger o usuário, essas ações também auxiliam os sistemas antifraude das instituições financeiras a identificar movimentações suspeitas com mais rapidez.
O que fazer em caso de roubo ou furto
Caso o crime aconteça, a recomendação é agir imediatamente. O tempo de resposta pode ser decisivo para conter prejuízos.
“É fundamental bloquear o aparelho o quanto antes, comunicar o banco, registrar boletim de ocorrência e solicitar a contestação das transações. Quanto mais rápida a reação, maiores são as chances de conter o dano e recuperar valores”, reforça.
Educação digital como linha de defesa
Para o especialista, o aumento desse tipo de crime durante o Carnaval evidencia a necessidade de educação digital da população e de maior integração entre usuários, instituições financeiras e autoridades.
“Não é apenas uma questão tecnológica, é uma questão de comportamento digital. Em períodos como o Carnaval, em que a vulnerabilidade aumenta, a conscientização do usuário é a primeira linha de defesa. O consumidor informado dificulta a ação criminosa e reduz significativamente o risco de prejuízo”, conclui.
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