Os
democratas começam hoje a ir às urnas para escolher o candidato que deverá
enfrentar o republicano Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados
Unidos em novembro. A votação no estado de Idaho é o primeiro passo de um longo
processo eleitoral que não se dá por voto direto e pode ser um tanto quanto
complicado para o brasileiro entender.
"O eleitor americano não vota no presidente, ele seleciona pessoas, os delegados, que vão compor o colégio eleitoral. É um meio-termo entre um parlamentarismo e o voto direto", explica Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).
"O eleitor americano não vota no presidente, ele seleciona pessoas, os delegados, que vão compor o colégio eleitoral. É um meio-termo entre um parlamentarismo e o voto direto", explica Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).
Ou seja,
o voto não vai para o candidato, mas para alguém que representará o voto em
apoio ao candidato. Ao final da disputa, quem tiver mais delegados vence.
Tudo
começa com as primárias. Para entender o processo, é melhor começar por sua
origem, nas prévias partidárias, que definem os candidatos. Assim como a
eleição geral, a escolha dos representantes dos partidos se dá por meio de um
colegiado eleitoral escolhido pela população. Este processo é chamado de
primárias.
No primeiro semestre de todo ano eleitoral, são realizadas as prévias dos partidos para definir os delegados que irão à convenção partidária realizada no meio do ano. O processo é realizado em todos os estados e cada um tem sua regra. Em alguns, qualquer cidadão pode votar, em outros, apenas os filiados aos partidos, entre outras peculiaridades.
No primeiro semestre de todo ano eleitoral, são realizadas as prévias dos partidos para definir os delegados que irão à convenção partidária realizada no meio do ano. O processo é realizado em todos os estados e cada um tem sua regra. Em alguns, qualquer cidadão pode votar, em outros, apenas os filiados aos partidos, entre outras peculiaridades.
Os
delegados eleitos são comprometidos com um pré-candidato e devem representá-lo
na convenção nacional. Dessa forma, no encontro, o pré-candidato que tiver mais
delegados vira o representante na eleição. Cada partido tem seu próprio
processo. Em ambos, o nome vencedor escolhe seu candidato a vice-presidente.
Neste ano, as prévias democratas começam em
Idaho hoje e vão até o final de abril. A convenção será realizada no Wisconsin
entre 13 e 16 de julho. Os nomes mais fortes são os senadores Bernie Sanders e
Elizabeth Warren e o ex-vice-presidente Joe Biden. Os democratas Elizabeth
Warren, Joe Biden e Bernie Sanders participam de debate eleitoral em Des Moines
(Iowa) Imagem: Robyn Beck - 14.han.2020/AFP Do outro lado, os republicanos.
Do outro
lado, os republicanos passam por um dilema. Partido do presidente Donald Trump,
alguns estados estão cancelando suas primárias por acharem que deve haver apoio
total à reeleição. Alguns republicanos discordam.
"Há quatro pré-candidatos desafiando Trump, mas eles são desconhecidos e não tem chances. Alguns estados já estão cancelando, enquanto outros, como o Iowa, vão fazer", afirma Poggio. A convenção republicana deverá ocorrer entre 24 e 27 de agosto na Carolina do Norte.
"Há quatro pré-candidatos desafiando Trump, mas eles são desconhecidos e não tem chances. Alguns estados já estão cancelando, enquanto outros, como o Iowa, vão fazer", afirma Poggio. A convenção republicana deverá ocorrer entre 24 e 27 de agosto na Carolina do Norte.
As
eleições são indiretas Como dito, as eleições também funcionam por meio de
representação no colégio eleitoral. Marcada neste ano para o dia 3 de novembro,
os cidadãos americanos confiam seu voto a delegados que, por sua vez, apoiam um
candidato. O número de delegados de cada estado é definido pela população
(número de deputados + número de senadores). Ao todo, são 538. Para chegar à
Casa Branca, o candidato precisa ter a maioria absoluta (pelo menos 270 votos).
Há, no entanto, uma peculiaridade no sistema: o número de delegados também não é proporcional aos votos gerais. Quem vencer em um estado fica com todos os seus delegados, mesmo que ali a eleição tenha sido apertada.
Há, no entanto, uma peculiaridade no sistema: o número de delegados também não é proporcional aos votos gerais. Quem vencer em um estado fica com todos os seus delegados, mesmo que ali a eleição tenha sido apertada.
Por
exemplo: o candidato que vencer na Flórida levará seus 29 delegados,
independentemente se ele tenha vencido por 52% a 48% ou por 90% a 10%. Não há
como serem 10 delegados democratas e 19 republicanos, é tudo ou nada, o chamado
"The winner takes all" ("O vencedor leva tudo").
Este
modelo, diferentemente do Brasil, cria a possibilidade de que um candidato seja
eleito mesmo sem ter a maioria absoluta dos votos. Isso aconteceu cinco vezes
na história americana. A última se deu em 2016, quando Trump teve quase 3
milhões de votos diretos a menos do que a democrata Hillary Clinton, mas somou
304 delegados, enquanto ela, apenas 227.
A importância dos estados Como uma confederação de estados unidos, cada ente federativo norte-americano tem suas regras estabelecidas e características políticas bem fortes. Isso impacta não só na campanha como na eleição, pois "conquistar" um estado, mesmo que pequeno, pode definir a corrida à Casa Branca.
A importância dos estados Como uma confederação de estados unidos, cada ente federativo norte-americano tem suas regras estabelecidas e características políticas bem fortes. Isso impacta não só na campanha como na eleição, pois "conquistar" um estado, mesmo que pequeno, pode definir a corrida à Casa Branca.
"Na
Califórnia, por exemplo, os republicanos nem fazem campanha, não têm a menor
pretensão de ganhar lá. Assim como os democratas no Texas. O que eles ficam de
olho é nos chamados 'swing states', estados que mudam entre eleições",
explica Poggio. Os mais tradicionais são Pensilvânia, Virginia e Flórida, que,
em 2000, deu a vitória a George W. Bush sobre Al Gore. Além disso, afirma
Poggio, há atualmente os "purple states" ("estados roxos",
uma mistura entre o azul democrata e o vermelho republicano), locais que tradicionalmente
apoiam um partido mas vêm apresentando alterações.
"O Arizona é republicano, mas, por conta de algumas mudanças demográficas, está ficando mais democrata. Pode-se esperar que esperar que vire de vez em alguma eleição futura", avalia o especialista.
"O Arizona é republicano, mas, por conta de algumas mudanças demográficas, está ficando mais democrata. Pode-se esperar que esperar que vire de vez em alguma eleição futura", avalia o especialista.
Sistema
pseudobipartidário Com dezenas de partidos políticos no Brasil, pode parecer
difícil para o brasileiro crer que nos Estados Unidos existam apenas dois. A
verdade é que não é bem assim. Lá também existem dezenas de partidos, mas só
dois (Democratas e Republicanos) têm representação real.
"A
constituição americana não fala em partido, não há nada que regule. Então tem
um monte, dezenas, mas são irrelevantes ou locais. Lá há muitos partidos
estaduais que lutam por pautas regionais", explica Poggio. Há a chance de
surgir uma terceira força? O professor acredita que não. Ele reconhece que
haja, como aqui, uma insatisfação com partidos tradicionais, mas eles acabam
englobando os que são de fora, como foi o caso de Trump em 2016 e de Sanders,
independente, que quer ser o candidato democrata neste ano. "O que deve
acontecer é que os partidos vão se transformar em meio a essas novas demandas.
Trump, por exemplo, ele foi nomeado a despeito da elite do partido não queria
ele. Eleito, traz uma configuração diferente", avalia.
Brasil x
Estados Unidos Não é só o voto indireto que marca as diferenças dos processos
eleitorais entre Brasil e Estados Unidos, há uma série de características que
divergem. De parecido, na verdade, é só a duração do mandato: 4 anos com
possibilidade de uma reeleição. Veja as diferenças:
Brasil:
- Eleição
direta, Voto obrigatório.
- Urna
eletrônica
- Cada
partido escolhe como define seu candidato.
- Sistema
multipartidário
EUA:
- Colégio
eleitoral
-Voto
facultativo
-Sistema de
votação definido pelo estado
- vai de
papel a urna
-
Candidatos são escolhidos por prévias eleitorais Sistema multipartidário com
apenas dois partidos fortes.
FONTE: UOL
