Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do IUCR e coordenador dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da BP.divulgacao_iucr
A Comissão Nacional de
Incorporação de Tecnologia no SUS (CONITEC) deu a recomendação final de
incorporação de cirurgia robótica para pacientes com câncer de próstata. Cerca
de 65% dos cânceres operados com uso de robô são na próstata.
Em reunião realizada em
Brasília na sexta, dia 8, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no
SUS (CONITEC) deu a recomendação final de incorporação da prostatectomia
radical assistida por robô para o tratamento de pacientes com câncer de próstata
localizado ou localmente avançado. É um avanço histórico por se tratar da
primeira incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) de cirurgia robótica em
Oncologia, cerca de 20 anos após o início da utilização da tecnologia no país.
A conquista, fruto do esforço de entidades como a Sociedade Brasileira de
Urologia (SBU) e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) em
consolidar as principais referências científicas que evidenciam os benefícios
para os pacientes e demonstram o quanto a tecnologia é custo-efetiva, ganha
amplitude quando se olha para os números.
Ao longo da última década, por
exemplo, mais de 5 mil cirurgias robóticas foram realizadas no Instituto de
Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR), referência nacional em
assistência ao paciente e formação de profissionais para atuar com uso de robô
cirúrgico. Neste período, 65% dos 5 mil procedimentos realizados na instituição
foram em pacientes com diagnóstico de câncer de próstata, órgão que é a
principal indicação para operações por meio do uso de robôs por conta da
precisão da técnica, que possibilita vantagens específicas, quando comparada
com outras modalidades cirúrgicas, como menor risco de incontinência urinária e
de disfunção erétil após a cirurgia, além do impacto positivo comum a outros
tipos de câncer, como menor sangramento e menos tempo de internação.
O IUCR, pioneiro e referência
na utilização da robótica no Brasil para tratamento de tumores localizados no
trato urinário, como próstata, rim e bexiga, também realiza treinamentos para
formação de novos cirurgiões. São mais de 10 programas implementados no Brasil,
com mais de 200 médicos treinados por meio do Programa de Consultoria e
Capacitação em Cirurgia Robótica do IUCR. “O nosso programa tem como objetivo
apoiar as instituições de saúde em todas as fases de implantação e/ou ampliação
do Programa Robótico, formando assim cirurgiões e profissionais de saúde
envolvidos com a cirurgia”, destaca o urologista e cirurgião oncológico Gustavo
Cardoso Guimarães, diretor do IUCR e coordenador dos Departamentos Cirúrgicos
Oncológicos da BP.
OS AVANÇOS DA ROBÓTICA NA
CIRURGIA DO CÂNCER
As cirurgias robóticas têm
avançado significativamente nas últimas décadas, trazendo inovações
tecnológicas que transformaram várias especialidades médicas, tanto no Brasil
quanto no mundo. O sistema mais conhecido é o da Intuitive Surgical, que, desde
sua introdução, passou por várias atualizações, melhorando a instrumentação, a
visualização 3D e a precisão dos movimentos. “A possibilidade de realizar
cirurgias em áreas que antes eram consideradas de alto risco (por exemplo, na
cirurgia cardíaca ou em determinadas neoplasias) faz com que mais pacientes
tenham acesso a tratamentos que podem salvar suas vidas”, ressalta Guimarães.
Além disso, avalia Gustavo
Guimarães, as novas gerações oferecem ergonomia aprimorada para os cirurgiões e
tecnologia de realidade aumentada. “Com braços robóticos que possuem
articulações de precisão e instrumentos cirúrgicos miniaturizados, as cirurgias
robóticas permitem procedimentos mais delicados, com menos danos aos tecidos
circundantes”, reforça o cirurgião.
Em cirurgia de câncer, muitas
vezes um milímetro, embora tão pequeno, pode fazer muita diferença. Com a
robótica é maior a capacidade de realizar procedimentos por pequenas incisões,
reduzindo assim o trauma cirúrgico, levando a menor dor e aceleração na
recuperação dos pacientes. Isso também diminui o risco de complicações e
infecções pós-operatórias.
Guimarães também destaca que o
uso de simuladores de cirurgia robótica está se tornando comum, permitindo que
novos cirurgiões treinem em ambientes virtuais antes de realizar procedimentos
em pacientes. “Isso contribui para melhores resultados cirúrgicos”, reforça.
Outros aspectos importantes
são o fato de a combinação de cirurgia robótica com técnicas de imagem
avançadas, como tomografia e ressonância magnética, permitir uma visualização
mais precisa da área a ser operada, apoiando decisões cirúrgicas em tempo real.
“Sistemas de imagens avançados com uso de inteligência artificial e até
impressoras 3D permitem recriar em ambiente virtual a área a ser operada,
aumentando a precisão e eficiência dos procedimentos cirúrgicos”, explica.
AMPLITUDE DA CIRURGIA ROBÓTICA
A cirurgia robótica está
estabelecida em diversas especialidades médicas, como urologia, cirurgia
torácica, cirurgia de cabeça e pescoço, ginecologia, proctologia, cirurgia
geral, gastroenterologia e cardiologia. “Estes últimos 20 anos demonstraram que
a tecnologia e a inovação são aspectos indissociáveis da evolução da humanidade
e da saúde. A cirurgia robótica como conhecemos é apenas o início desse
processo de transformação que vai nos levar ao centro cirúrgico do futuro”,
analisa Guimarães.
Em resumo, considerando todas
as diferentes especialidades contempladas, a cirurgia robótica oferece menor
tempo de internação; recuperação pós-operatória mais rápida; menos sangramento
e diminuição das taxas de transfusão; redução do risco de infecção e das dores
e complicações pós-cirúrgicas; retorno mais rápido às atividades cotidianas
(geralmente o paciente pode voltar a se alimentar no mesmo dia).
Segundo o especialista,
incorporar a cirurgia robótica às opções de serviços é uma tendência orgânica
das instituições de saúde que buscam modernização, ganhos efetivos de
produtividade e resultados positivos para pacientes e equipes. O caminho para
essa implementação, segundo ele, passa por uma avaliação que vai muito além da
aquisição de equipamentos e da adaptação da estrutura física. “Envolve toda a
cadeia de processos e serviços”, orienta.
As principais etapas para
implementação de cirurgias robóticas incluem planejamento e estudo de
viabilidade econômica; criação e formatação de processos e pacotes de serviços;
acompanhamento do processo de implantação; capacitação e treinamento das equipes;
monitoramento, desenvolvimento e aprimoramento de novas habilidades das equipes
e avaliação de resultados e incremento do programa.
Sobre o IUCR - O Instituto de
Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica Dr. Gustavo Guimarães – IUCR, criado em
2013, é especializado na prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação do
paciente com câncer. A equipe médica é formada por profissionais altamente
especializados em uro-oncologia, cirurgia oncológica e oncologia clínica, sob a
liderança do cirurgião oncológico Dr. Gustavo Guimarães, que possui mais de 20
anos de atuação e dedicação à assistência do paciente, ao ensino e à pesquisa
científica nessa área. Guimarães desenvolveu ampla experiência em tecnologias e
procedimentos minimamente invasivos como cirurgia laparoscópica, ultrassom
focalizado de alta intensidade-HIFU e cirurgia robótica, tendo desenvolvido um
consistente Programa de Consultoria e Capacitação sobre Cirurgia Robótica para
Instituições de saúde em todo o país, que engloba a implantação, o
desenvolvimento das diversas técnicas cirúrgicas e a capacitação das equipes.
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