Justiça cassa 4 vereadores de Fortaleza e Farias Brito por fraude a cota de gênero no Ceará — Foto: Reprodução
Partidos pelos quais
vereadores foram eleitos tiveram os votos anulados por fraude à cota de gênero,
o que consequentemente leva à perda de mandatos dos vereadores eleitos pela
sigla.
A Justiça Eleitoral do Ceará
publicou na segunda-feira (26) duas decisões que confirmam a cassação de quatro
vereadores por considerarem que seus partidos fraudaram as cotas de gênero nas
eleições de 2024. Os vereadores cassados são o Luiz Paupina (Agir), de
Fortaleza; e Aurino Filho, Everton Calixto e João Camilo, do MDB de Farias
Brito. Cabe recurso das decisões.
Os quatro vereadores perdem os
mandatos porque seus partidos, o Agir e o MDB, ao serem condenados pela fraude,
têm anulados todos os votos recebidos nas eleições, o que por consequência leva
à cassação do diploma dos candidatos eleitos.
📍A legislação eleitoral exige que partidos
assegurem o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo nas
eleições proporcionais. São fraudes à cota de gênero aqueles casos em que
partidos lançam candidaturas apenas para preencher a cota, e as candidatas, por
exemplo, não recebem dinheiro, não realizam atos de campanha nem têm votações
expressivas.
No primeiro caso, de
Fortaleza, a Justiça apontou que "o conjunto probatório é robusto e
inequivocamente demonstra a fraude à cota de gênero" por parte do partido
Agir, pelo qual o Luiz Paupina foi eleito vereador em 2024 com 6.037 votos. Ele
foi o único vereador do partido eleito na capital cearense.
Conforme o processo, o Agir
forjou candidaturas de mulheres para cumprir a cota mínima exigida pela lei
eleitoral. As candidatas falsas foram apontadas como Janicleide Ferreira de
Lima, que teve 2 votos, e Victória de Souza Farias, que teve 4 votos.
A investigação mostrou
inclusive que nas seções em que as candidatas votam elas não receberam nenhum
voto, o que indica que nem elas votaram em si mesmas. As duas não realizaram
atos de campanha e, em depoimento à Justiça, afirmaram que não sabiam seus próprios
números de candidatas.
Em 2024, o Agir apresentou 44
candidaturas, sendo 29 masculinas e 15 femininas. Para cumprir o mínimo legal
da cota de gênero de 30%, o partido deveria apresentar no mínimo 14
candidaturas femininas.
Com o reconhecimento da
falsidade das candidaturas de Janicleide e Victória, o partido ficou apenas com
13, abaixo do requisitado pela lei. Por isso, o Agir Fortaleza foi condenado em
primeira instância a ter todos os votos anulados, o que por consequência leva à
cassação do diploma dos candidatos eleitos - no caso, o vereador Luiz Paupina.
O vereador recorreu da decisão
de primeira instância, que acabou sendo confirmada pelo Tribunal Regional
Eleitoral do Ceará (TRE-CE) em dezembro de 2025. A decisão foi publicada em
acórdão do tribunal nesta segunda-feira, 26 de janeiro. O partido ainda pode
recorrer dentro do próprio TRE e, na sequência, ao TSE.
Chapa cassada em Farias Brito
No município de Farias Brito, a
Justiça eleitoral condenou o partido MDB por fraude à cota de gênero e anulou a
votação da sigla em 2024, o que levou à cassação de três vereadores eleitos:
Aurino Filho (530 votos), Everton Calixto (1.317 votos) e João Camilo (795
votos).
Inicialmente, a denúncia
afirmava que o MDB de Farias Brito teria tentado forjar quatro candidaturas
femininas para cumprir formalmente a cota de 30%. Na decisão, a Justiça
Eleitoral considerou que três das quatro candidatas tinham justificativas
plausíveis para terem campanhas inexpressivas, enquanto uma quarta, Expedita
Alves Feitosa, teve a candidatura considerada fictícia.
Conforme testemunhas, Expedita
não realizou campanha, não colocou material nem mesmo em sua residência e não
apresentou, na prestação de contas obrigatória, nenhum gasto típico de campanha
eleitoral. Ela teve 12 votos.
Diante da candidatura
fictícia, a Justiça condenou o MDB de Farias Brito a ter todos os votos
recebidos nas eleições de 2024 anulados, e por consequência ordenou a cassação
dos diplomas dos vereadores eleitos pelo partido. Expedita Alves também foi
declara inelegível por 8 anos.
A decisão foi anunciada em
setembro de 2025, mas o partido recorreu ao TRE-CE, que voltou a confirmar a
condenação em janeiro deste ano. O partido ainda pode recorrer dentro do
próprio TRE e, na sequência, ao TSE.
Fonte: G1
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