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| Foto: Reprodução |
O ministro Alexandre de Moraes
determinou, na última quinta-feira (19), que a Polícia Federal fizesse busca e
apreensão e instalasse tornozeleira eletrônica em um vigilante que trabalhava
na Receita Federal no Rio de Janeiro.
A ordem foi tomada dois dias após a operação contra quatro suspeitos de
vazamento de dados de integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e seus
parentes.
A determinação sobre o vigilante, de acordo com pessoas com conhecimento da
investigação, foi tomada na investigação relacionada a essas suspeitas de
vazamentos. Seu nome não foi divulgado e nem quais os atos dele que estão sob
investigação.
Na operação do dia 17 contra os quatro suspeitos, um dos alvos foi Luiz Antônio
Martins Nunes, um funcionário do Serpro (empresa estatal de processamento de
dados) que estava cedido à Receita no Rio.
Havia indícios de que ele acessou irregularmente os sistemas do Fisco e
entregou dados sigilosos de autoridades e de familiares. A reportagem não
localizou a defesa de Nunes.
Os demais alvos foram os técnicos Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado
dos Santos e o auditor Ricardo Mansano de Moraes.
Nota do STF na ocasião afirmou que houve “bloco de acessos cuja análise, pelas
áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”.
Ruth Machado dos Santos, que é agente administrativa, é suspeita de acessar
dados fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. Ela
afirmou em depoimento à Polícia Federal que estava em um atendimento presencial
no momento em que as informações foram acessadas.
Já Mansano é suspeito de acessar os dados de uma ex-enteada do ministro Gilmar
Mendes, filha da advogada Guiomar Feitosa. Ele estava em um cargo na chefia de
Gestão do Crédito Tributário e do Direito Creditório, em Presidente Prudente
(SP), e foi retirado do posto.
Segundo pessoas que acompanham as apurações, ele acessou dados de ao menos dois
anos da ex-enteada de Gilmar, de 2008 e de 2024.
Sua defesa tem dito que ele é um “profissional de reputação ilibada que, ao
longo de anos de atuação junto à Receita Federal do Brasil, jamais respondeu a
qualquer falta funcional”.
Disse ainda que os fatos “serão devidamente esclarecidos e a verdade
prevalecerá” e que não obteve acesso integral às acusações e aos elementos de
investigação.
O rastreamento de possíveis quebras de sigilo ocorre no contexto da crise
institucional entre os Poderes e órgãos públicos provocada pela quebra e
liquidação do Banco Master.
A família do ministro entrou em foco no noticiário após o jornal O Globo
revelar que o Banco Master contratou o escritório de advocacia da mulher de
Moraes por 36 meses, a partir do início de 2024, e previa pagamentos mensais de
R$ 3,6 milhões.
Revelações da investigação sobre o escândalo financeiro do banco de Daniel
Vorcaro geraram desconfiança e suspeitas de vazamentos de informações
protegidas por sigilo bancário e fiscal.
A solicitação de Moraes de apurar eventuais quebras de sigilo foi feita no âmbito
do inquérito das fake news, aberto em 2019, e que investigou ataques de
bolsonaristas aos integrantes do Supremo.
Fonte: JBR

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