O Ministério Público do Ceará
(MPCE) concedeu prazo de 10 dias para que a Prefeitura de Juazeiro do Norte
apresente um cronograma de regularização das dívidas com o Fundo de Previdência
Social dos Servidores Municipais (Previjuno), cujo montante já ultrapassa R$
114,7 milhões.
O procedimento foi instaurado
pela 15ª Promotoria de Justiça, que notificou a Procuradoria Geral do Município
(PGM) e a Secretaria de Finanças (Sefiin).
Falta de repasses
Segundo o MP, foi constatada a ausência sistemática de repasses destinados à amortização da dívida entre os anos de 2023 e 2025. Diante disso, o órgão ministerial solicitou atualização sobre o anteprojeto de lei que formaliza a adesão do município ao parcelamento especial de débitos previdenciários, autorizado pela Emenda Constitucional nº 136/2025.
No documento, o MP destaca que
a saúde financeira do fundo é essencial para garantir o pagamento presente e
futuro de aposentadorias e pensões, evitando desequilíbrio atuarial que possa
comprometer outras áreas da administração pública.
A promotoria também cobrou
comprovação formal do envio da proposta à Câmara Municipal e de sua aprovação
para viabilizar o início do pagamento das parcelas renegociadas.
A Câmara foi notificada para
comprovar a quitação de um débito de R$ 1.015 referente a dezembro de 2024. De
acordo com o MP, o Legislativo comprovou estar adimplente.
O órgão alertou ainda que a
ausência de medidas pode resultar na instauração de Inquérito Civil e eventual
ajuizamento de ações por improbidade administrativa contra gestores
responsáveis.
“Fundo quebrado”, diz prefeito
No último dia 3, o prefeito
Glêdson Bezerra (Podemos) afirmou que o Previjuno está “quebrado” sob o ponto
de vista atuarial. Segundo ele, a adequação às normas federais já foi realizada
por estados e capitais, mas em Juazeiro o debate foi adiado diversas vezes
devido à complexidade política do tema.
O prefeito apontou fatores históricos que contribuíram para a situação, como retenções indevidas — quando o desconto era feito no contracheque do servidor, mas não repassado ao instituto — e a falta de novos concursos públicos, o que reduziu a base de contribuição previdenciária.
“Há muito tempo eu venho dizendo que o Previjuno, de acordo com o seu estudo atuarial, está quebrado. Não é novidade eu dizer isso. […] Muitas vezes, por ser um assunto extremamente espinhoso, chato e delicado, ele ficou aqui engavetado e sem a discussão devida”, declarou.
Apesar do cenário atuarial
preocupante no longo prazo, Glêdson afirmou que os repasses atuais estão em dia
e que o fundo possui mais de R$ 300 milhões em caixa. “Para o futuro, para o
atuarial, é que existe essa preocupação”, completou.
Postar um comentário