Henrique Vorcaro, pai de do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro é preso pela Polícia Federal, em Belo Horizonte, na sexta fase da operação Compliance Zero. Ele aparece como demandante, operador e beneficiário financeiro de todo o esquema do Master. Ao todo há sete mandados de prisão preventiva que estão sendo cumpridos na manhã desta quinta-feira. Um agente da Polícia Federal da ativa já está preso, uma delegada também da ativa e um agente aposentado são alvo de busca. Segundo fontes, todos os alvos das prisões de hoje são integrantes da chamada "A Turma", grupo que atuava para intimidar desafetos, acessar informações sigilosas e promover invasões a dispositivos informáticos em benefício de Vorcaro.
O nome de Henrique Vorcaro apareceu desde o
começo da investigação como uma espécie de operador do filho Daniel Vorcaro.
Ele estaria envolvido tanto em lavagem de dinheiro, quanto no propósito de
esconder patrimônio do ex-dono do Banco Master. A informação que levou a prisão
do empresário mineiro nesta quinta-feira, no entanto, foi a de que ele cuidava
do financiamento da chamada "A Turma". Além disso, Henrique Vorcaro
estaria tentando buscar dentro da própria Polícia Federal mais informações sobre
o processo contra ele e contra o filho. Ou seja, ele continuava em atividade
mesmo após a prisão do filho Daniel Vorcaro.
Essa fase da operação tem objetivo de
aprofundar as investigações em face de organização criminosa suspeita de
praticar condutas de intimidação, de coerção, de obtenção de informações
sigilosas e de invasões a dispositivos informáticos. Além dos mandados de
prisão, há 17 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF),
nos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também foram
determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio
de bens.
Estão sendo investigados os crimes de ameaça,
de corrupção, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa, de invasão de
dispositivos informáticos e de violação de sigilo funcional.
O que é "A Turma"
"A Turma" era o nome dado a uma milícia privada e estrutura de coerção montada sob o comando do ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que foram presos em março, em outra fase da Compliance Zero, eram parte do grupo.
O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro era presidente da Multipar, empresa que movimentou mais de R$ 1 bilhão, entre 2020 e 2025, exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Segundo ao Conselho, a movimentação sugere uma tentativa de esconder o patrimônio.
O Grupo Multipar, fundado por Henrique Vorcaro,
é um conglomerado
com atuação em áreas como engenharia, energia, agronegócio e mercado
imobiliário. O grupo ganhou espaço principalmente em
contratos ligados à infraestrutura e obras de grande porte em Minas Gerais.
Na semana passada, o primo de Daniel Vorcaro,
Felipe Vorcaro já havia sido preso apontado como "operador
financeiro" do ex-banqueiro, "incumbido da interligação entre
decisões estratégicas do núcleo central e a execução material das movimentações
financeiras e societárias".
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