Major Araújo (PL-GO) — Foto: Reprodução/TV Alego
O deputado estadual Major
Araújo, do PL, informou ter ingressado com um requerimento na Mesa Diretora da
Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para que possa andar armado no plenário
da Casa. Conforme mostrou o GLOBO, o
parlamentar protagonizou uma briga com seu correligionário, o
deputado Amauri Ribeiro, a partir de sucessivas discussões ao longo das últimas
semanas. Na quinta-feira passada (7), após um embate com xingamentos e ameaças
de agressões físicas, Amauri disse ao colega que ele "amanheceria
morto" caso o encostasse.
— Apresentei um requerimento
para que a Mesa Diretora me autorize vir para o plenário armado. Aqui, a gente
tem sido alvo de ameaça, de agressão, de "chamar para os tapas". E eu
não vou para "os tapas" com vagabundo nenhum. Se me encostarem a mão
aqui, eu tenho que exercer meu direito da legítima defesa — disse Major Araújo,
em sessão realizada na terça-feira.
Araújo justificou, em
declaração concedida a jornalistas locais, que seu posicionamento é motivado
por não poder "arregar", e que também irá "abaixar o nível"
caso seja alvo de ataques durante os debates. Ele sugeriu que, caso não seja
atendido, a Alego forneça policiais para realizar a escolta de todos os
parlamentares.
"O Deputado requer
autorização para o porte e uso de arma de fogo de sua propriedade, dentro das
dependências da Alego, justificando a necessidade de sua defesa pessoal no
pleno exercício de suas atividades parlamentares, ou colocar à disposição de um
policial militar para fazer a minha segurança", diz o documento.
A discussão entre os deputados
foi iniciada por discordâncias em relação ao apoio ao senador Wilder Morais,
pré-candidato ao governo e presidente do diretório local do PL. Sem citar o
major, Amauri afirmou "não ter o sentimento do medo", e reivindicou
ser um dos maiores "representantes da direita" no estado.
No ano passado, Amauri chegou
a ser alvo de denúncias no Ministério Público Federal (MPF) e no Conselho de
Ética da Assembleia por conta de ataques contra a deputada Bia de Lima (PT).
Também no plenário, em meio à debates políticos, o parlamentar disse que a
petista ti "problema mental" e é "submissa", o que o MPF
considerou violência política de gênero. Apesar disso, as denúncias não foram
adiante.
No ano passado, Amauri chegou
a ser alvo de denúncias no Ministério Público Federal (MPF) e no Conselho de
Ética da Assembleia por conta de ataques contra a deputada Bia de Lima (PT).
Também no plenário, em meio à debates políticos, o parlamentar disse que a
petista tinha "problema mental" e era uma mulher
"submissa", o que o MPF considerou violência política de gênero.
Apesar disso, as denúncias não foram adiante.
Entenda o entrave
A rixa entre os deputados
goianos ganhou força ao longo das últimas semanas, em embates crescentes no
plenário estadual. Em sessão no dia 30 de abril, Amauri criticou o fato de
Wilder não ter votado na sabatina do ministro Jorge Messias (AGU) ao Supremo Tribunal
Federal (STF), o que definiu como uma "vergonha".
Em sessão posterior, no dia 6
de maio, Major Araújo rebateu o correligionário, e chamou "má-fé"
tentar "induzir" os eleitores sobre um possível prejuízo com a
ausência do voto do senador. Ele apontou a proximidade de Amauri, que acompanhava
a sessão de forma virtual, com o grupo do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD):
— O senhor está atacando o
presidente do partido para fazer favor eu sei para quem. O senhor é aliado do
(governador) Daniel Vilela, do Caiado, e quer continuar aliado e favorecendo a
candidatura deles. Quer manchar o nome de quem está dirigindo o partido —
discursou o deputado. — Ou fica no PL, e se comporta como direita de verdade,
ou sai — completou.
No dia seguinte, Amauri chamou
o colega de "burro", e alegou já ter se resolvido com Wilder. Ele
justificou a proximidade com Vilela por "não se tornar inimigo" de
pessoas que já foi próximo, além de pedir para o deputado "ser macho"
para provar as acusações.
— As minhas ideias não mudam
independentemente do partido que eu esteja. Diferentemente do senhor, tenho
caráter e princípios. O senhor disse também que eu me vendi ao longo da minha
carreira política. Busque, prove, seja macho e prove — reagiu Amauri.
Logo em seguida, ao discursar,
Araújo disse que Amauri "está conspirando contra porque está sendo bem
pago", e frisou que "atacar Wilder Morais é ajudar o Vilela".
Nesse momento, ambos passaram a trocar xingamentos, e a sessão foi encerrada:
— Põe a mão em mim para você ver! Amanhã você amanhece morto. Vagabundo, safado — atacou Major Araújo.
Fonte: Yago Godoy O Globo
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