O treinador da equipe Basquete Juazeiro do Norte, Ricardo Lemos, emocionou familiares e amigos ao lamentar a morte dos sete atletas que perderam a vida no acidente envolvendo o ônibus da delegação na CE-187, em Tauá. A declaração foi feita nesta terça-feira (16), durante o velório coletivo realizado no Ginásio Poliesportivo de Juazeiro do Norte.
Sobrevivente da tragédia, Ricardo sofreu fraturas no rosto e diversos ferimentos pelo corpo. Abalado, o treinador afirmou que trocaria a própria vida pela dos jovens atletas.
"Não sei explicar o sentimento que eu estou tendo agora, de estar aqui, representando a nossa equipe, porque eu trocaria a minha vida pelo lugar daqueles meninos ali", declarou.
Resgate em meio ao desespero
Ricardo relembrou que, nos primeiros momentos após o acidente, sequer percebeu que estava ferido. Seu primeiro impulso foi tentar socorrer os atletas e organizar o atendimento às vítimas.
"Não percebi que meu rosto estava sangrando, que minha perna estava cortada", afirmou.
Segundo o treinador, com a ajuda de alguns atletas sobreviventes, entre eles Henrique e Saul, foi possível retirar os ocupantes do ônibus e acionar as equipes de emergência.
"Junto com os meninos, o Henrique principalmente, o Saul, que estavam me auxiliando, a gente conseguiu colocar os meninos em segurança e locomover todo mundo para o socorro, acionar as equipes. Depois, foi que a própria medicina de lá, de Tauá, me informou que eu precisava de cuidados antes de conseguir concluir o cuidado com os outros", relatou.
"Não era assim que eu queria ver a nossa quadra"
Presente no ginásio onde tantas vezes acompanhou partidas e competições, Ricardo disse jamais imaginar que retornaria ao local para se despedir de seus atletas.
"Não é assim que queria ver a nossa quadra, não é assim que queria ver o nosso esporte", disse, emocionado.
Ele também destacou a importância da fé e da união neste momento de luto, afirmando que cada pessoa busca forças em suas próprias crenças para enfrentar a dor da perda.
Duas décadas dedicadas ao esporte
Treinador voluntário há cerca de 20 anos, Ricardo Lemos lembrou que viagens e deslocamentos fazem parte da rotina de quem vive o esporte, mas afirmou nunca ter imaginado enfrentar uma tragédia dessa dimensão.
"Pela primeira vez, eu tive que ver o potencial da minha força. Na hora do acidente, bati o meu corpo no vidro que dá acesso à cabine do motorista, e foi por ali que a gente conseguiu sair. Todo mundo saiu pelo espaço do vidro", contou.
A tragédia que vitimou sete integrantes da equipe de basquete de Juazeiro do Norte provocou comoção em todo o Ceará e mobilizou manifestações de solidariedade de atletas, clubes, entidades esportivas e da população.
Postar um comentário