Policial civil é preso após disparo de pistola durante discussão em estabelecimento de Barbalha

 

Foto: Reprodução / Segundo a investigação, policial teria apontado uma pistola .40 contra um homem de 37 anos; disparo não atingiu a vítima, que conseguiu se abaixar e fugir

Um oficial investigador da Polícia Civil foi preso em flagrante após um disparo de arma de fogo durante uma discussão em um estabelecimento na Avenida Beira Brejo, em Barbalha, na madrugada desta sexta-feira (14). O tiro não atingiu a vítima, que conseguiu se abaixar e escapar da linha do disparo.


O caso aconteceu por volta das 2h, no estabelecimento Adega Alves, antigo Gela Homer Bob Esponja. Segundo as informações registradas no procedimento policial, o operador de máquinas Cícero Toniislam Matias Andrade, de 37 anos, havia chegado ao local e aguardava na fila para comprar cervejas.


No estabelecimento também estava o oficial investigador Saullo Pereira de Sousa, de 44 anos.


Câmeras registraram o momento do disparo

Imagens das câmeras de segurança mostram, segundo a investigação, que o policial teria dito algo ao homem que acabara de chegar. Em seguida, Saullo sacou uma pistola calibre .40 e efetuou um disparo na direção de Cícero.


A vítima conseguiu se abaixar no momento em que percebeu a arma apontada e não foi atingida. Depois, correu até um posto de combustível próximo, onde aguardou a chegada de uma equipe da Polícia Militar.


Em depoimento, Cícero afirmou que conseguiu escapar do tiro e classificou o episódio como “um milagre”.


As imagens também mostram que, após o disparo, o policial teria perdido o equilíbrio e caído na calçada antes de deixar o local.


Policial foi localizado e preso em flagrante

De acordo com o auto de prisão em flagrante, Saullo aparentava estar embriagado no momento dos fatos.


Durante as diligências, policiais militares localizaram a motocicleta do investigador em frente à residência dele, na Rua Padre Ibiapina, no Centro de Barbalha.


Os agentes solicitaram que ele deixasse o imóvel para prestar esclarecimentos. Conforme o registro policial, o homem teria desacatado os policiais, que deram voz de prisão em flagrante.


O investigador foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Juazeiro do Norte.


Durante a ocorrência, foram apreendidas a pistola calibre .40 pertencente à Polícia Civil e 14 munições.


Vítima afirma que já havia registrado ameaça

Segundo o depoimento prestado ao delegado André Felipe Silva Torres, Cícero afirmou que conhecia Saullo desde a infância e que os dois eram amigos.


Ainda conforme o relato, os dois teriam se desentendido anteriormente e, após supostas ameaças, a vítima chegou a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Barbalha.


Cícero não possui registros criminais, segundo as informações apresentadas no procedimento.


O policial investigado, por sua vez, exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio durante o interrogatório.


Delegado pede prisão preventiva

No relatório encaminhado à Justiça, o delegado André Felipe representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.


A autoridade policial argumentou que a liberdade do investigado representaria risco à ordem pública e à segurança da vítima, avaliando que medidas cautelares alternativas à prisão seriam insuficientes diante das circunstâncias do caso.


O delegado também citou a existência de um procedimento policial anterior envolvendo Saullo.


Segundo o relatório, no Inquérito nº 421-129/2019, o investigador teria sido indiciado por suposto crime previsto no artigo 15 do Estatuto do Desarmamento, relacionado a disparo de arma de fogo.


Para a autoridade policial, o registro anterior pode indicar uma possível reiteração de conduta da mesma natureza.


O caso agora será analisado pela Justiça, que deverá decidir sobre a manutenção da prisão e os próximos procedimentos da investigação.

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