Desaprovação de Trump supera 60% às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA

 

Foto: reprodução / Pesquisas apontam insatisfação com a economia, a inflação e o custo de vida. Eleições de 3 de novembro podem alterar o controle do Congresso e dificultar a agenda do presidente.

A menos de duas semanas das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta índices elevados de desaprovação. Pesquisas divulgadas nos últimos dias mostram que mais de 60% dos americanos desaprovam a gestão do republicano, em um cenário que pode influenciar o resultado da votação de 3 de novembro.


Segundo o agregador de pesquisas do estatístico e jornalista Nate Silver, 60,6% dos americanos desaprovam o governo Trump, enquanto 36,3% aprovam. Os números estão entre os piores da série histórica do levantamento. A aprovação do presidente atingiu o menor nível da série na quarta-feira (21).


Os dados indicam que Trump passou a maior parte do atual mandato com índices de desaprovação superiores aos de aprovação. O republicano teve saldo positivo apenas nos primeiros 50 dias de governo.


Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (19) apresentou um cenário ainda mais desfavorável: 66% dos entrevistados desaprovam Trump, enquanto 31% aprovam. Segundo a pesquisa, a desaprovação repetiu o maior índice registrado durante os dois mandatos do presidente, enquanto a aprovação chegou ao menor patamar da série.


O que mostram as pesquisas

Outros levantamentos divulgados nos últimos dias também indicam que a desaprovação ao governo supera a aprovação. Confira os resultados apresentados pelas pesquisas:

  • The New York Times/Siena (19 de outubro): 60% desaprovam e 34% aprovam.

  • Echelon Insights (19 de outubro): 60% desaprovam e 39% aprovam.

  • Verasight/Strength in Numbers (19 de outubro): 62% desaprovam e 34% aprovam.

  • CNN/SSRS (18 de outubro): 67% desaprovam e 32% aprovam.

  • Fox News/Beacon Research/Shaw & Co. Research (12 de outubro): 64% desaprovam e 36% aprovam.


Os percentuais podem variar entre os institutos em razão de diferenças metodológicas e das datas de realização das entrevistas. Em conjunto, porém, os resultados apontam uma avaliação predominantemente negativa da gestão presidencial.


Economia e custo de vida pesam na avaliação

A insatisfação com a economia e o alto custo de vida aparecem entre os principais fatores associados à desaprovação de Trump. As críticas aumentaram em meio à política tarifária do governo e à escalada de conflitos internacionais, que também pressionam os preços de produtos e combustíveis.


Dados do agregador de Nate Silver mostram que a avaliação do presidente é especialmente negativa em temas econômicos:

  • Inflação: 72,8% desaprovam e 24,8% aprovam.

  • Economia em geral: 65,7% desaprovam e 31,6% aprovam.

  • Comércio: 62,7% desaprovam e 32,8% aprovam.

  • Imigração: 56,2% desaprovam e 41,1% aprovam.


Os dados foram compilados na quarta-feira (21). Embora a imigração seja uma das principais bandeiras políticas de Trump, a avaliação do presidente nesse tema também é predominantemente negativa.


A pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira apontou saldo desfavorável entre aprovação e desaprovação em todas as áreas avaliadas. A diferença foi de 20 pontos negativos em imigração, 34 em política internacional, 45 em economia, 54 em custo de vida e 35 na avaliação geral do governo.


Por que as eleições de meio de mandato são importantes?

Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial e podem modificar o equilíbrio de forças no Congresso dos Estados Unidos.


Em 3 de novembro, os eleitores escolherão representantes para todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e para cerca de um terço das vagas do Senado.


Trump não disputa um cargo nessas eleições, mas a avaliação de seu governo pode influenciar o voto para deputados e senadores. Atualmente, o Partido Republicano, do presidente, controla as duas Casas do Congresso.


Pesquisas e projeções eleitorais indicam que os democratas têm chances de conquistar o controle da Câmara e do Senado. Caso isso ocorra, Trump poderá enfrentar mais dificuldades para aprovar propostas legislativas e avançar com sua agenda política.


Trump intensifica campanha pelos republicanos

Diante do cenário, Trump tem percorrido o país para participar de comícios e apoiar candidatos republicanos. Entre as iniciativas anunciadas pelo presidente está a promessa de pagar um bônus de até US$ 5 mil a cada adulto americano caso seu partido vença as eleições.


Nos meses anteriores, Trump também apoiou mudanças nos mapas eleitorais de alguns estados para favorecer os republicanos na disputa por cadeiras na Câmara.


Outra frente de atuação envolve o voto pelo correio. O presidente defende restrições a essa modalidade, alegando a existência de fraudes, enquanto dados eleitorais indicam que os democratas recorrem ao voto postal com maior frequência do que os republicanos.


O resultado de novembro será um indicador importante da força política de Trump na segunda metade do mandato e poderá determinar o espaço que o presidente terá para implementar suas prioridades no Congresso.

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