O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou em petição apresentada nesta quarta-feira (21) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que autoriza a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos. A autorização, porém, foi condicionada à divulgação de informações financeiras e registros envolvendo pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de dados sobre gastos e agendas do governo federal.
A manifestação foi apresentada em resposta à iniciativa de Lula, que anunciou a autorização para a abertura dos próprios sigilos e dos registros de seus cinco filhos, além dos dados da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações. O presidente havia condicionado a medida à adoção de procedimento semelhante por seu adversário.
Flávio também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A autorização, segundo a petição, seria estendida às empresas das quais o senador é sócio ou administrador e aos familiares mencionados por Lula.
O parlamentar argumentou, no entanto, que a abertura de seus dados deveria ocorrer simultaneamente à divulgação de informações que, segundo ele, poderiam esclarecer suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente.
Flávio apresenta lista de exigências
A petição reúne uma série de pedidos relacionados a encontros, registros de acesso a prédios públicos e informações financeiras. Entre eles, estão a divulgação de registros de reuniões entre Lula e Vorcaro, em dezembro de 2024, e de entradas do banqueiro e de intermediários nos Palácios do Planalto e da Alvorada.
O senador também solicitou informações sobre reuniões do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega com integrantes do governo e registros de voos de uma aeronave atribuída a Vorcaro.
Outro pedido envolve a abertura de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de pessoas relacionadas a investigações sobre fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre os nomes citados no documento estão Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; Marcola, apontado no texto como ex-chefe de gabinete de Lula; e a empresária e lobista Roberta Luchsinger. Flávio também pediu informações sobre empresas ligadas aos filhos do presidente e ao Instituto Lula.
Os pedidos apresentados pelo senador não representam, por si só, comprovação de irregularidades por parte das pessoas mencionadas.
Pedido inclui gastos do governo e agenda da primeira-dama
A petição também aborda a transparência das despesas públicas. Flávio solicitou a divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023.
O documento inclui ainda pedidos de acesso à agenda da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, a Janja, anterior a fevereiro de 2025; aos registros de visitas dos filhos do presidente; e a informações sobre o uso de helicópteros e despesas do Palácio da Alvorada.
Flávio argumentou que a proposta apresentada por Lula seria insuficiente para esclarecer suspeitas relacionadas a terceiros. Na avaliação do senador, a transparência deveria abranger pessoas e empresas próximas ao presidente, além de despesas custeadas com recursos públicos.
Caso Lula não aceite as condições apresentadas, Flávio pediu que a recusa seja formalmente registrada no processo.

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