No meio do deserto da Arábia Saudita, um dos projetos urbanos mais audaciosos do século XXI está em andamento: a construção de uma megacidade linear chamada The Line, que promete revolucionar o conceito de vida urbana e abrigar até 9 milhões de pessoas em um único eixo contínuo de 170 quilômetros de extensão e 500 metros de altura — tudo sem carros, ruas ou emissões de carbono.
O que é The Line e como funcionaria?
O projeto faz parte do plano futurista Neom, uma cidade inteligente planejada no noroeste da Arábia Saudita como parte da Visão 2030, iniciativa do governo saudita para diversificar a economia do país além do petróleo.
The Line pretende ser uma cidade vertical e linear, com apenas 200 metros de largura, dois blocos espelhados de arranha‑céus conectados por infraestrutura subterrânea inteligente, onde tudo que um morador precisa — moradia, trabalho, lazer e serviços — estaria a caminhada de cinco minutos.
Sem carros ou vias tradicionais, o deslocamento ao longo dos 170 km seria feito por trens de alta velocidade ou sistemas subterrâneos, com o objetivo de conectar as extremidades da cidade em questão de minutos. O plano também prevê energia 100 % renovável e um uso intensivo de tecnologia digital e inteligência artificial para otimizar a vida urbana.
Ambições e desafios
Idealizado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, The Line é descrito por seus idealizadores como uma resposta aos desafios das cidades atuais, oferecendo vida urbana sustentável, densidade controlada e integração radical entre infraestrutura e natureza.
No entanto, o projeto enfrenta críticas e controvérsias:
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Viabilidade técnica e financeira: a escala da construção, custos estimados em centenas de bilhões de dólares e prazos ambiciosos — com conclusão total projetada apenas até meados da década de 2040 — levantam dúvidas entre especialistas.
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Impactos sociais: comunidades locais na região já foram deslocadas para dar lugar ao empreendimento, gerando críticas de organizações de direitos humanos.
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Ambientais: apesar do discurso verde, críticos questionam o impacto ambiental da construção e a promessa de neutralidade de carbono frente ao enorme uso de materiais como vidro e aço.
Além disso, reportagens recentes indicam que o projeto foi parcialmente redimensionado, com uma versão menor em estudo para lidar com limitações orçamentárias e de execução, reduzindo expectativas sobre a dimensão original pretendida.
Cidade do futuro ou sonho ousado?
Se concluída conforme planejado, The Line seria uma das mais extraordinárias obras de urbanismo da história, repensando a forma como as cidades são projetadas e vividas — potencialmente sem carros e com circulação eficiente em 3 dimensões.
Por enquanto, a iniciativa segue em diferentes estágios de construção e revisão de planos, com fases piloto previstas para serem entregues antes da expansão completa, enquanto o mundo observa se essa visão futurista se tornará realidade ou mais um exemplo de ambição que esbarra nos desafios práticos do século XXI.
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