O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) poderá passar por mudanças nos próximos anos. Entre as propostas em estudo pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) está a inclusão de questões abertas, nas quais o estudante precisaria escrever a resposta em vez de apenas escolher uma alternativa.
Segundo o presidente do Inep, Manuel Palácios, porém, a novidade não será aplicada no Enem de 2026. As mudanças em discussão devem começar a ser implementadas a partir de 2028, e algumas poderão ser adotadas somente nos anos seguintes.
A intenção, segundo o instituto, é anunciar as alterações com antecedência para evitar impactos na preparação de estudantes e redes de ensino.
Questões abertas estão entre as propostas
Uma das possibilidades analisadas é a inclusão de questões voltadas à compreensão leitora.
Nesse modelo, o estudante poderia receber um artigo ou outro texto e ser solicitado a resumir ou sintetizar as principais ideias apresentadas.
“Uma questão vem sendo especialmente discutida, que é o interesse de trabalhar com a compreensão leitora, pedindo que os estudantes resumam um artigo ou texto que foi lido por ele”, explicou Manuel Palácios.
A proposta ainda está em discussão e não será aplicada no exame deste ano.
A redação continuará fazendo parte do Enem.
Prova poderá ter questões eletivas
Outra mudança estudada pelo Inep é a possibilidade de criação de questões eletivas, relacionadas aos itinerários formativos escolhidos pelos estudantes durante o Ensino Médio.
Os itinerários são componentes personalizáveis do currículo, nos quais os alunos podem aprofundar seus estudos de acordo com áreas de interesse.
Com isso, o Enem poderia manter uma parte comum para todos os candidatos e acrescentar blocos específicos de questões.
“Na prática, a inclusão dos itinerários formativos faz com que você não tenha uma prova única. Você pode ter uma grande parte da prova única e partes dessa prova ou sessões da prova eletivas”, explicou Palácios.
Enem passa a substituir o Saeb para concluintes
Apesar das mudanças ainda estarem no campo das discussões, o Enem 2026 já terá uma função diferente.
O exame, que tradicionalmente é utilizado principalmente como porta de entrada para o Ensino Superior, também será utilizado como instrumento de avaliação da qualidade da educação básica.
A partir deste ano, o Enem substituirá o Saeb para estudantes do terceiro ano do Ensino Médio.
As provas estão marcadas para os dias 8 e 15 de novembro.
Por causa dessa nova função, todos os estudantes concluintes do Ensino Médio da rede pública foram inscritos automaticamente no exame.
Inep busca aumentar participação
Segundo Manuel Palácios, uma das vantagens de utilizar o Enem para essa avaliação é o maior interesse dos estudantes em participar da prova.
“O Enem produz muito mais engajamento do estudante do que o Saeb. O Saeb é uma avaliação que não tem efeito prático na vida do estudante. Já o Enem é porta de acesso a uma série de oportunidades de formação”, afirmou.
O Inep pretende alcançar 70% de participação dos estudantes concluintes.
Para aumentar a presença, o instituto também planeja ampliar a quantidade de locais de aplicação. A expectativa é que 80% dos alunos concluintes façam a prova nas próprias escolas de origem.
A mudança também deverá ampliar a quantidade de informações disponíveis sobre a educação básica brasileira, inclusive na rede privada.
Com as discussões sobre novas questões, itinerários formativos e diferentes versões do exame, o Enem deverá passar por uma transformação gradual nos próximos anos, mas as alterações mais significativas ainda não serão aplicadas em 2026.
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