Netanyahu rejeita plano dos EUA para Gaza e condiciona retirada de tropas ao desarmamento do Hamas

 

Primeiro-ministro de Israel afirma que tropas só deixarão o território após o “desarmamento genuíno” do Hamas; grupo palestino, por outro lado, condiciona entrega das armas à saída de Israel


O caminho para um acordo de paz em Gaza voltou a ficar mais distante após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, rejeitar publicamente o plano de 15 pontos apresentado pelos Estados Unidos para o território palestino. Netanyahu afirmou que as tropas israelenses só deixarão Gaza quando o Hamas estiver “genuinamente desarmado”.


O plano havia sido anunciado no fim do mês pelo chamado “Conselho da Paz”, criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre as propostas estava uma retirada gradual das forças israelenses e a transferência da administração de Gaza para um comitê palestino, sob supervisão internacional.


Ruptura entre Netanyahu e Trump

A declaração de Netanyahu representa a primeira ruptura pública entre o primeiro-ministro israelense e Trump desde o início da ofensiva em Gaza.


O episódio ocorre também a poucos meses das eleições israelenses, previstas para outubro, aumentando a pressão política sobre Netanyahu e tornando ainda mais delicadas as decisões relacionadas ao conflito.


Para o governo israelense, o desarmamento do Hamas continua sendo uma condição central para qualquer retirada militar. O grupo, entretanto, apresenta uma posição oposta.


Hamas também impõe condições

O Hamas afirmou que só entregará seu armamento depois da retirada das forças israelenses de Gaza.


O grupo também vincula o desarmamento total à criação futura de um Estado palestino — possibilidade que Netanyahu já descartou.


Com posições tão distantes, a principal dificuldade para um acordo permanece justamente em definir a sequência dos passos: Israel exige o desarmamento antes da retirada, enquanto o Hamas condiciona a entrega das armas à saída israelense.


Estreito de Ormuz entra no cenário da guerra

Além da situação em Gaza, o cenário de tensão no Oriente Médio envolve também o Irã e uma importante rota internacional de petróleo.


O governo iraniano divulgou uma lista com seis exigências aos Estados Unidos para uma possível reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima que, segundo as informações divulgadas, está fechada desde o início do conflito.


Por essa passagem circulava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo, o que faz da região um ponto estratégico não apenas para o Oriente Médio, mas para a economia internacional.


Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão o pagamento de indenizações pelos danos provocados ao país e o fim da guerra na Palestina.


Segundo o governo iraniano, a reabertura da rota marítima está suspensa “até que os norte-americanos mudem de postura”.


Um cenário ainda sem solução

As diferentes exigências apresentadas por Israel, Hamas e Irã mostram como os conflitos no Oriente Médio permanecem interligados e com consequências que ultrapassam as fronteiras da região.


Enquanto Israel condiciona a retirada ao desarmamento do Hamas, o grupo palestino exige primeiro a saída das forças israelenses. Ao mesmo tempo, o Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado e coloca novas condições para sua reabertura.


Diante desse cenário, a possibilidade de uma paz duradoura em Gaza ainda depende de negociações capazes de superar essas condições conflitantes.

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